Homenagem e lançamento de biografia marcam 5 anos da morte de Vieira de Mello

SÃO PAULO - Os cinco anos da morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello e mais 21 funcionários da ONU em um atentado com caminhão-bomba em Bagdá, no Iraque, foram celebrados nesta terça-feira com um minuto de silêncio na sede da ONU, em Genebra. A data coincide com o lançamento no Brasil do livro O homem que queria salvar o mundo, biografia do brasileiro escrita pela norte-america Samantha Power.

Leandro Meireles Pinto, repórter Último Segundo |

"Ainda não há ninguém na ONU capaz de substituir o brasilerio Sérgio Vieira de Mello", afirmou Samantha Power, professora de Harvard, ganhadora de um prêmio Pulitzer e ex-assessora de Barack Obama para assuntos internacionais, que está no Brasil para o lançamento do livro. "Se Sergio não pôde ser resgatado dos escombros, suas lições deveriam ser resgatadas e contadas", disse.

Segundo Samantha, Sérgio sempre dizia que "ser um homem do sistema não significa ser um burocrata que passa a vida no gabinete". "O que faz de Sérgio uma pessoa tão única é que se movia com habilidade entre o escritório burocrático da ONU e o campo de batalha. Porque era nas ruas onde estavam as pessoas e os problemas. Isso é muito raro na ONU", explicou Samantha. "Quando ele chegava ao escritório, era como se tivesse ainda o pó do deserto em seu terno Armani", brincou.


Kofi Annan considerava Mello "brilhante" / ONU

Vieira de Mello, considerado pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Anna como "brilhante", exerceu toda a carreira profissional nas Nações Unidas, onde entrou em 1969. Filho de diplomata e graduado em Filosofia pela Universidade de Sorbonne, na França, Mello participou ativamente dos protestos de 1968 e entrou para a ONU em 1969 porque "via a organização como uma alternativa às ações dos Estados para atuar no mundo", afirmou Samantha Power.

Sergio Vieira de Mello foi o primeiro brasileiro a chegar a um posto de alto escalão da ONU, tendo o nome cotado, na época, para suceder o então secretário-geral, Kofi Annan.

Power conta no livro que Mello "dizia que não se pode ajudar as pessoas de longe". "Ele fez questão de que os escritórios da ONU em Bagdá fossem abertos aos civis iraquianos (ao contrário da zona verde iraquiana onde as instalações dos EUA guardadas por cercas de arame farpado e soldados), para que eles soubessem que a ONU estava ali para ajudá-los".

"Na época, Sèrgio não recebeu dos EUA as informações adequadas sobre a extensão das ações dos grupos terroristas no país e, por isso, não pôde calcular o perigo da situação", completou a argentina Carolina Larriera, companheira de Mello na época do atentado, também presente ao lançamento do livro.

Antes de ser enviado ao Iraque, Vieira de Mello ocupou os cargos de alto comissário para Direitos Humanos, enviado especial ao Kosovo em 1999 após a expulsão da Sérvia e administrador do Timor-Leste durante sua preparação para a independência.

Também passou serviu em operações humanitárias em Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique, Peru, Camboja e Líbano. "As pessoas diziam que o sangue do Sérgio não era vermelho e sim azul. Azul das Nações Unidas. Ele tinha paixão pelo trabalho humanitário feito pela ONU", concluiu a biografista Samantha Power.


Sede da ONU parcialmente destruída após ataque no Iraque / ONU

Minuto de silêncio na ONU

A ONU lembrou hoje os cinco anos da morte de 22 funcionários da organização, incluindo o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, em um atentado contra sua sede em Bagdá, o ataque mais grave sofrido pelas Nações Unidas em toda sua história. Sérgio Vieira de Mello era então alto comissário da ONU para os Direitos Humanos.

Em uma breve cerimônia na sede da ONU em Genebra, funcionários e familiares das vítimas fizeram um minuto de silêncio.

O diretor-geral das Nações Unidas em Genebra, Serguei Ordzhonikidze, disse que a data de "19 de agosto permanecerá como um dos dias mais obscuros na história da ONU, um dia de tristeza, um dia no qual nossos pensamentos acompanham os sobreviventes e as famílias dos falecidos".

A ONU, acrescentou, "rende tributo à memória das vítimas, prosseguindo seu trabalho no Iraque". Após o atentado, as Nações Unidas retiraram seu pessoal no Iraque, mas, em 2004, começaram novamente a enviar funcionários.


Sérgio Vieira de Mello, brasileiro morto em atentado no Iraque / ONU

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* Com AFP

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