David Valenzuela. Nova York, 11 set (EFE).- Os milhares de voluntários que reagiram aos atentados de 11 de setembro de 2001 e que em muitos casos ainda sofrem com sequelas dos ataques foram hoje protagonistas na cerimônia em que Nova York lembrou oito anos da tragédia.

Algumas das pessoas que tentaram aliviar os efeitos dos ataques contra as Torres Gêmeas e que, da mesma forma que bombeiros e policiais, sofrem ainda efeitos psicológicos e físicos de seu trabalho, foram os encarregados de ler hoje os nomes das 2.752 vítimas do 11-9 na cidade.

Com isso, foi feito um reconhecimento especial aos nova-iorquinos que, logo após a tragédia e, sobretudo, nos dias e meses posteriores à derrubada das torres, continuaram em Manhattan para participar das tarefas de resgate.

"A partir de hoje, preservaremos a lembrança dos que morreram reavivando o espírito de serviço que iluminou a nossa cidade com esperança e ajudou a que nos mantivéssemos fortes", disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em cerimônia marcada pela intensa chuva que caía sobre o Marco Zero.

"Não é chuva, são suas lágrimas que hoje caem sobre nós", disse o pai de um dos mortos no World Trade Center, onde por mais um ano foi possível ver o atraso nos trabalhos de reconstrução.

O presidente Barack Obama comandou a homenagem em Washington, onde foram lembradas as 184 pessoas que morreram nas instalações do Pentágono há também oito anos e onde afirmou que nunca titubeará na perseguição da "Al Qaeda e seus aliados extremistas".

Na cerimônia também participaram o vice-presidente, Joseph Biden, junto ao governador de Nova Jersey, David Corzine, e ao prefeito de Nova York na época dos atentados, Rudolph Giuliani.

"A atuação dos voluntários sobreviverá sempre. Enquanto lembrarmos o que perdemos, também homenageamos o heroísmo que vimos então", disse na cerimônia o governador de Nova York, David Paterson, que como outras autoridades pediu aos cidadãos que participem de trabalhos de voluntariado, para "seguir mostrando a melhor faceta do ser humano".

O comportamento exemplar dos voluntários, responsáveis para que a "cidade que nunca dorme" não parasse nem um instante após os ataques, fez com que este ano o 11-9, além de ser um dia em memória das vítimas de Nova York, Washington e Pensilvânia, tenha sido declarado Dia Nacional de Serviço e Lembrança.

Durante a cerimônia de hoje, os nova-iorquinos contemplaram novamente o trabalho dessas pessoas, que mostraram mais uma vez seu apoio às vítimas dos ataques e a seus parentes. Na homenagem, reconfortaram-nas nos difíceis momentos em que leram, em algumas ocasiões entre lágrimas, os nomes de pais, mães, filhos e irmãos mortos no 11-9.

Os voluntários, pertencentes muitos deles a associações cujos nomes também foram ouvidos hoje em Manhattan, não puderam ser apenas testemunhas do que ocorria em sua cidade e começaram a agir, uma decisão que marcou suas vidas e que fez com que também passassem a fazer parte da longa lista de vítimas dos ataques.

Um total de 817 de participantes dos trabalhos de resgate e recuperação morreram desde 2001 - 479 deles por doença e 33 por suicídio -, segundo o Departamento de Saúde do estado de Nova York.

O último estudo estadual, que em nenhum caso estabelece vínculos diretos entre as causas das mortes e a participação nos trabalhos de resgate, aponta que 56,4% dessas 479 mortes foram em virtude de diferentes tipos de câncer e destaca o elevado número de mortes ligadas a problemas respiratórios.

O número de mortes é difícil de quantificar, sobretudo, entre os chamados voluntários não-uniformizados, que a partir de hoje passarão a ser homenageados a cada 11 de setembro e cujo trabalho após os ataques se espera que estimule a solidariedade entre os americanos. EFE dvg/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.