Homenagem a líder da redemocratização argentina reúne milhares

Buenos Aires, 30 out (EFE).- Milhares de pessoas e um grupo de líderes políticos de Brasil, Chile, Uruguai, Estados Unidos e Espanha prestaram hoje uma emocionante homenagem ao ex-presidente da Argentina Raúl Alfonsín, considerado o pai da nova democracia neste país, a qual completou hoje 25 anos.

EFE |

Devido à grave doença pulmonar que o aflige, o ex-chefe de Estado foi o grande ausente do ato comemorativo, embora tenha aparecido em um vídeo exibido num grande telão instalado na casa de espetáculos Luna Park de Buenos Aires, o mesmo local em que Alfonsín lançou sua candidatura presidencial em 1982.

"Há grandes motivos para celebrarmos estes 25 anos da democracia argentina", disse no vídeo o ex-presidente.

Alfonsín, de 81 anos e que há meses está afastado da vida púbica, declarou ainda que a "democracia não é simplesmente o exercício da liberdade, mas também a busca da igualdade".

Além disso, pediu aos argentinos que não "nostálgicos do passado".

"É imprescindível que nos demos conta de que temos que trabalhar juntos, que é necessário o diálogo. Não é simplesmente o diálogo entre Governo e oposição, mas também dentro da oposição", acrescentou.

"Temos que trabalhar para melhorar a sociedade argentina. Este não é um problema apenas dos políticos e do Governo, é um problema de toda a sociedade", declarou, frisando que os argentinos não terão "mais ditaduras" como a que antecedeu seu mandato e assolou o país durante sete anos (1976-1983).

A mensagem de Alfonsín encheu de lágrimas os olhos de seus "correligionários", um dos quais convocou os presentes no ato a marcharem em direção à casa do ex-presidente, a cerca de 15 quadras de distância.

"Embora não tenha estado presente neste estádio, esteve hoje aqui conosco. Vamos nós vê-lo", conclamou Juan Francisco Nosiglia, líder da Juventude Radical, ao organizar a improvisada marcha.

Nosiglia e o titular da União Cívica Radical (UCR), Gerardo Morales, foram os dois principais oradores do ato, durante o qual foram exibidas mensagens gravadas de políticos de vários países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o maranhense José Sarney e os ex-chefes de Estado Ricardo Lagos (Chile), Jimmy Carter (EUA) e Julio María Sanguinetti (Uruguai) coincidiram ao assinalar que Alfonsín é "sinônimo de democracia e honestidade política".

"Em sua pessoa, estão representados os valores mais considerados em um governante: liderança, conhecimento do mundo, dignidade e decência. Se todos os nossos presidentes tivessem esses atributos, a vida das pessoas seria muita melhor", destacou a presidente do Chile, Michele Bachelet, em uma carta.

Todas as mensagens foram aplaudidas pelas cerca de sete mil pessoas que lotavam o Luna Park, que se tingiu de vermelho e branco, as cores da UCR.

Durante seu Governo, que teve que abandonar antes do tempo por causa de uma hiperinflação e de uma crescente agitação social, Alfonsín abriu o caminho da democracia e impulsionou o histórico julgamento das juntas militares que tinham ensangüentado o país, embora depois tenha terminado cedendo às pressões militares aprovando as chamadas "leis do perdão".

"Voltaremos...Voltaremos...Voltaremos outra vez, voltaremos a ser Governo, como em 1983", gritaram hoje seus contemporâneos e os filhos da democracia que começou a construir. EFE cw/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG