Homem-bomba mata 37 pessoas em mesquita do Paquistão

Por Ibrahim Shinwari LANDI KOTAL, Paquistão (Reuters) - Um homem-bomba matou 37 pessoas ao detonar os explosivos presos a seu corpo numa mesquita lotada do Paquistão, perto da fronteira do Afeganistão, nesta sexta-feira, informaram funcionários do governo.

Reuters |

O ataque se deu horas antes de o presidente norte-americano, Barack Obama, anunciar uma nova estratégia para a guerra do Afeganistão, uma abordagem que, segundo autoridades americanas, vai reconhecer o Paquistão como parte chave do conflito.

Desde meados de 2007 a violência militante vem crescendo no Paquistão, com muitos ataques contra forças de segurança e alvos do governo e ocidentais.

Policiais, integrantes de forças paramilitares e funcionários do governo estavam na congregação da mesquita próxima de Jamrud, a 30 quilômetros da fronteira afegã, quando o ataque desta sexta-feira aconteceu.

O homem-bomba detonou seus explosivos no momento em que o imã deu início às orações.

"Assim que o imã disse 'Allahu Akbar' ('Deus é o maior'), veio a explosão", contou Tauseer Khan, de 70 anos, em um leito de hospital na vizinha cidade de Peshawar.

"Foi enorme. Ainda não estou conseguindo ouvir direito", disse Khan, que tinha ferimentos nas mãos e no rosto. Seu filho e neto também ficaram feridos.

Rahat Gul, porta-voz da administração de Khyber, tinha dito anteriormente que 50 pessoas morreram e 75 ficaram feridas, mas o número de mortos foi corrigido mais tarde para 37 por Tariq Hayat Khan, o alto administrador governamental em Khyber.

Entre os mortos estavam 14 policiais e soldados paramilitares, disse Khan, e 160 ficaram feridos.

Estavam na mesquita no momento da explosão entre 250 e 300 pessoas, segundo Khan.

"O atacante foi visto saltando para dentro do pátio da mesquita e detonando seus explosivos", disse Khan à Reuters.

A mesquita, uma construção de dois andares, desabou.

Fiéis e membros dos serviços de resgate vasculharam pilhas de escombros, arrastando corpos para fora e levando-os para ambulâncias, envoltos em lençóis e sobre macas.

Boinas policiais, boinas de oração, terços e telefones celulares foram dispostos diante de uma parede do lado de fora da mesquita. Nas proximidades havia fileiras de sapatos abandonados.

Num primeiro momento, a polícia disse que uma bomba teria explodido num posto policial situado ao lado da mesquita, na estrada principal que conduz à passagem de Khyber e à fronteira do Afeganistão.

Desde o ano passado, militantes paquistaneses do Taliban intensificaram os ataques aos comboios de suprimentos que transitam pela passagem, com destino às forças ocidentais no Afeganistão, que não tem saída para o mar.

Acredita-se que boa parte da violência no Paquistão desde meados de 2007 tenha sido cometida por militantes abrigados nas terras sem lei dos pashtuns, na fronteira com o Afeganistão.

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