Homem que reinventou conservadores chega ao poder no Reino Unido

Judith Mora. Londres, 11 mai (EFE).

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Judith Mora. Londres, 11 mai (EFE).- O moderno David Cameron, nomeado hoje primeiro-ministro do Reino Unido, se apresentou aos britânicos como o homem que conseguiu modernizar o Partido Conservador e transformá-lo em uma verdadeira alternativa de Governo. Com seu conservadorismo "compassivo" - distanciado do neoliberalismo feroz de seus antecessores -, apelou ao eleitor de centro que ainda vê com suspeita o que chegou a ser conhecido como "Nasty Party" (partido malvado), pela desolação social que o país viveu durante os anos mais difíceis do thatcherismo (1979-1990). Em seu esforço para transformar a legenda, relegada à oposição durante 13 anos, Cameron a depurou de seus elementos mais reacionários e parece ter neutralizado as diversas correntes internas que se enfrentam em assuntos como a relação com as minorias e a União Europeia (UE). No entanto, sua falta de definição ideológica, que substitui com uma eficaz apresentação de políticas pontuais, faz com que frequentemente seja acusado de ser superficial e, não raro, apontado com uma incógnita. Por causa de suas raízes aristocráticas e educação privilegiada, muitos duvidam da sinceridade de algumas de suas iniciativas para se unir com a população mais desfavorecida, como sua já famosa proposta de ser mais compreensivo com os delinquentes, batizada pela imprensa como "hug a hoodie" (abrace um arruaceiro). Em época de crise econômica, é difícil para Cameron defender abertamente o capitalismo selvagem e a falta de regulação financeira, abraçados um dia por seu partido, mas também indicou que não abandonará esse setor-chave da população - empresários, financistas e, em geral, fazendeiros e outra gente endinheirada - que tradicionalmente apoiou o Partido Conservador. Um dos cavalos de batalha nessas eleições foi superar a crise e combater o déficit, e a proposta tory de anular o aumento previsto pelos trabalhistas da cotação para a Seguridade Social recebeu o aplauso dos principais empresários do país. Cameron define a si mesmo e a suas ideias a partir de sua experiência como "homem de família". Em um recente artigo no jornal "The Daily Telegraph", defendeu sua criação acomodada e revelou que seus pais tinham inculcado nele o "otimismo" e ensinado que "a vida é mais do que apenas fazer dinheiro". Cameron não se criou em um ambiente político, mas foi uma viagem à antiga União Soviética em 1985 que o fez "questionar o mundo" e desenvolver valores que ainda conserva, como o de que "o Estado é seu empregado, nunca seu dono". De sua correligionária Margaret Thatcher admira "a força de suas convicções" para enfrentar, entre outros, os sindicatos que, na sua opinião, impediam o avanço do Reino Unido. No entanto, ao contrário da "Dama de Ferro" - filha de um merceeiro e um dos primeiros líderes tories sem pedigree - Cameron terá de lutar ainda contra sua imagem de playboy afastado da realidade. Nascido em Londres em 9 de outubro de 1966 em uma família de financistas com raízes nobres, David Donald William Cameron foi educado nos melhores centros do país, entre eles o Eton (1979-1984), onde tradicionalmente a realeza estuda, e na universidade de Oxford (1985-1988), na qual formou-se em Filosofia, Política e Economia. Em seu período na universidade conheceu o atual prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson, no polêmico e exclusivo Bullingdon Club. Seu primeiro trabalho foi em 1988 no Departamento de Pesquisa do Partido Conservador, onde foi promovido até se transformar em parte da equipe do então primeiro-ministro do Reino Unido, John Major. Em 1996 se casou com Samantha, também de família aristocrática, com quem teve três filhos - Ivan (morto no ano passado aos 6 anos), Nancy, de 6 anos, e Arthur, de 4 - e espera o quarto. Entre 1994 e 2001 trabalhou como diretor de comunicações para a rede de televisão "Carlton", posto onde fez inimizade com vários jornalistas britânicos, um dos quais, Ian King ("The Sun"), o descreveu como "um indivíduo venenoso e escorregadio". Após concorrer sem sucesso às eleições em 1997, em 2001 conseguiu sua primeira cadeira parlamentar pela circunscrição de Witney - um reduto conservador -, após o que foi elevado em 2005 porta-voz de Educação da oposição sob a liderança de Michael Howard. Depois de ser diretor de coordenação política na campanha eleitoral de maio desse ano, apresentou sua candidatura para liderar o Partido Conservador, cargo que assumiu em dezembro de 2005 após vencer em votação vários de seus colegas. Sua excelente oratória e boa memória - que lhe permitem fazer discursos inteiros sem notas - e sua imagem de conservador moderado e sensato conseguiram levar os tories à primeira linha política e colocá-los na chefia de Governo no Reino Unido. EFE jm/ma/mh/rr

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