Homem que morreu em protesto do G20 sofreu hemorragia abdominal e não infarto

Londres, 17 abr (EFE).- Ian Tomlinson, o britânico de 47 que morreu no dia 1º de abril em Londres durante os protestos convocados por ocasião da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes), morreu por uma hemorragia abdominal e não por um ataque cardíaco, como tinham informado as autoridades.

EFE |

Assim afirmou hoje o advogado da família de Tomlinson, que divulgou os resultados de uma segunda autópsia efetuada neste vendedor de jornais, que morreu após ser golpeado pelas costas e empurrado no chão por um policial, segundo se pôde ver em imagens gravadas em vídeo e em diversas fotografias.

A primeira versão oficial foi que Tomlinson morreu de um ataque cardíaco em metade da rua e que seu falecimento não teve nada a ver com as diversas cargas policiais que os agentes antidistúrbios realizaram contra os protestos do G20.

Mas a segunda autópsia refuta esta versão, o que acrescenta incerteza a este caso, que foi o estopim de várias queixas posteriores sobre a atuação violenta da Polícia contra quem participou das manifestações do 1º de abril em Londres.

O segundo exame legista foi feito pelo doutor Nat Cary, que rejeitou a conclusão do médico que praticou a primeira autópsia, o doutor Freddy Patel, que atribuiu a morte de Tomlinson a "uma doença coronária e arterial".

"A opinião do doutor Cary é que a causa da morte foi uma hemorragia abdominal", disseram os advogados da família em comunicado, no qual explicam que "a causa da hemorragia ainda está por ser estabelecida".

"O doutor Cary aceita que há evidência de uma arterioesclerose coronária, mas diz que é improvável que a natureza e o alcance da mesma tenham contribuído para a causa da morte", acrescenta.

O resultado da segunda autópsia, feita no marco de uma investigação oficial, não é definitiva e será necessário levar a cabo um novo exame legista, segundo informou a "BBC".

A rede pública da televisão britânica também disse que o agente que bateu em Tomlinson está sendo interrogado em relação a um possível caso de homicídio não premeditado.

Nas imagens do incidente pode-se ver Tomlinson caminhando com as mãos nos bolsos na frente de uma dezena de policiais, vários deles com cachorros, até que um agente lhe bate com seu cassetete nas costas e o empurra ao chão.

Tomlinson fica sentado no chão e se dirige aos policiais, enquanto uma terceira pessoa tenta levantá-lo.

Minutos depois, Tomlinson morreu sem que as unidades médicas que havia na área pudessem fazer alguma coisa para salvá-lo.

A Comissão Independente de Queixas a Polícia (IPCC, sigla em inglês) abriu uma investigação sobre este fato e sobre posteriores denúncias de agressões policiais, que derivaram na suspensão temporária de suas funções de pelo menos dois agentes. EFE fpb/ma

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