Buenos Aires, 11 mai (EFE).- A Justiça argentina resolveu processar hoje um homem de 67 anos detido na província de Mendoza por abusar sexualmente da filha, com a qual teria tido sete filhos.

"Errei em tudo, peço que me perdoem", disse Armando Lucero, também apelidado de "o monstro de Mendoza", após chegar ao juizado provincial sob um forte esquema policial e cercado de jornalistas.

O apelido recebido vem da semelhança com o caso do austríaco Josef Fritzl, o "monstro de Amstetten", que, por mais de 20 anos, abusou sexualmente da filha, com a qual teve sete filhos.

Lucero, que permanece detido desde sexta-feira em uma prisão de Mendoza, capital da província de mesmo nome, foi processado por abuso sexual com acesso carnal agravado pelo vínculo.

O homem, também acusado de abusar de algumas das filhas que teve com outra mulher, foi detido graças à denúncia de uma das jovens, agora com 35 anos, que afirmou ter sido submetida a abusos desde os 15.

A mulher declarou à justiça que recebia ameaças de morte, e que teve sete filhos fruto do incesto, cujas idades variam de 2 a 19 anos.

Ela disse ter feito a denúncia por medo de que o pai também violentasse alguma das filhas de ambos.

O promotor responsável pelo caso, Marcelo Gutiérrez del Barrio, disse que o homem será submetido a testes de DNA para confirmar se têm ligação genética com os descendentes da filha.

"A pena é de 50 anos, o máximo. Por enquanto, prestaram depoimento outras duas pessoas. A ideia é avançar na investigação.

Temos conhecimento do delito sexual, e é o que vamos investigar, o que surgir também será considerado", explicou o promotor.

Um filho de Lucero, de 37 anos, fruto de outra relação, assegurou este fim de semana que ele já tinha denunciado o pai, mas disse que a mãe "é oficial de Justiça e encobria tudo".

"Gerardo", como foi apelidado pela imprensa local, disse que o pai "nunca trabalhou" para sustentar os seis filhos, três homens e três mulheres, que teve com a mãe.

Ela acusa a mãe de encobrir os abusos como oficial de justiça dos Tribunais de Mendoza, a mil quilômetros ao oeste de Buenos Aires e vizinha ao Chile. EFE ms/db

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