Homem diz que Governo britânico comandou sua tortura em Bangladesh

Londres, 25 jun (EFE).- Um britânico que acusa o Governo do Reino Unido de permitir que fosse torturado pelos serviços secretos de Bangladesh por suspeitas de terrorismo contou pela primeira vez os danos físicos e psicológicos que sofreu, como agressões e ameaças de estupro à sua mulher, informou hoje a emissora BBC.

EFE |

Jamil Rahman, que em maio informou que entraria com um processo contra o Governo britânico, disse ao canal público que acredita que o MI5 (serviço de contraespionagem do Reino Unido) foi responsável por sua detenção em Bangladesh em 2005.

Ele afirmou que os agentes bengalis o agrediram e ameaçaram violentar sua mulher caso não confessasse ser terrorista, depois de ser detido pelo DGFI, uma das agências de inteligência de Bangladesh.

Em 2005, Rahman se casou com uma mulher que conheceu durante sua visita ao país.

O britânico acusa dois agentes do MI5 de envolvimento em sua detenção e de dirigirem o interrogatório, e disse ter ficado detido inicialmente por três semanas, mas que nos dois anos seguintes foi submetido a interrogatórios esporádicos.

Após ser detido, Rahman, de 31 anos, afirmou à "BBC" que dois homens britânicos o interrogaram separadamente.

"Na primeira vez (em que foi interrogado) tentaram ser amigáveis, tentaram mostrar que eram meus amigos, que estavam calmos e relaxados, nada ruim. Eu tentei provar minha inocência", contou.

"Mas disseram: 'Eles não fizeram um bom trabalho com você, precisamos de um intervalo de dez minutos'. (Então) Os 'tios' do DGFI me levaram a uma sala para me machucar", acrescentou.

"Tiraram minha roupa e disseram que se não dissesse o que queriam que dissesse, me violentariam e à minha mulher, e queimariam ela e outros membros de sua família", disse Rahman.

"Disseram-me para confessar que era da Al Qaeda e organizador dos atentados (suicidas de Londres) de 7 de julho de 2005", ressaltou.

Rahman, no entanto, admitiu que assistiu a reuniões no Reino Unido do grupo radical islâmico Al-Muhajiroun, mas que ele rejeitou a ideologia antes de viajar para Bangladesh para se casar. EFE vg/db

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