Homem de 60 anos é resgatado dois dias após terremoto no Japão

Hiromitsu Shinkawa ficou agarrado a um pedaço do telhado de sua casa, arrastada pelo tsunami de sexta-feira

iG São Paulo |

Um homem de 60 anos foi resgatado com vida no Japão neste domingo, dois dias após o terremoto seguido de tsunami que devastou a coisa nordeste do país. Hiromitsu Shinkawa ficou agarrado a um pedaço do telhado de sua casa, arrastada pelo tsunami, segundo informou o Ministerio da Defesa.

Hiromitsu foi resgatado por um destróier da Marinha japonesa em alto-mar, em frente ao litoral de Fukushima, a cerca de 250 quilômetros de Tóquio. Ele foi levado de helicóptero ao hospital e passa bem.

Segundo a agência de notícias Jiji, Hiromitsu, que é morador da cidade de Minamisoma, contou que "começou a correr quando ouviu o alerta de tsunami", mas "voltou para recuperar algo em casa e foi levado pelas águas".

O governo do Japão dobrou o número de militares que atuam na busca por sobreviventes. No sábado, eram cerca de 50 mil e agora já passam de 100 mil. Segundo o premiê Naoto Kan, 12 mil pessoas foram resgatadas até agora.

Operações de resgate acontecem em meio a um cenário impressionante: prédios destruídos, árvores caídas e ruas tomadas por lama, carros, barcos e até pequenos aviões.

Equipes de resgate usam botes para passar por áreas inundadas, buscando sobreviventes em um mar de destroços. Segundo autoridades, a maior parte das centenas mortes registradas até agora foi causada por afogamento, após ondas gigantes arrastarem carros e casas nas cidades costeiras.

"O tsunami foi incrivelmente rápido", disse Kpichi Takairi, 34 anos, morador da cidade de Sendai, a mais próxima do epicentro do terremoto e uma das mais afetadas pelas ondas gigantes. "Carros eram arrastados à minha volta. Tudo o que pude fazer foi ficar sentado no meu caminhão", afirmou, em entrevista à agência Associated Press.

Na tentativa de impedir que o número de vítimas aumente, bombeiros sobrevoam extensas áreas do país em helicópteros tentando controlar incêndios em complexos industriais e casas de madeira.

Desde o terremoto, mais de 1 milhão de domicílios estão sem água, a maioria na região nordeste do país. Quatro milhões de edifícios não têm energia, e em Sendai os serviços de telefonia também foram comprometidos.

A polícia afirmou que mais de 215 mil pessoas estão vivendo em 1.350 abrigos temporários, mas a ajuda mal começou a chegar a muitas áreas. "Tudo o que temos para comer são biscoitos e arroz", afirmou Noboru Uehara, 24 anos, um motorista de caminhão que vive em Iwake. "Tenho medo de a comida acabar."

Segundo a agência japonesa Kyodo, desde a tarde de sexta-feira mais de 150 tremores secundários já foram registrados no Japão.

Maior tremor da história do Japão

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), o terremoto de 8,9 graus de magnitude é o maior já registrado na história do Japão e o 7° maior da história.

Até hoje, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com AP, AFP, EFE e BBC

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