Homem armado é preso perto de local do G20

Motorista transportava em carro cinco latões de gasolina, motosserra e artefato com flechas e taco de beisebol em Toronto

iG São Paulo |

A polícia canadense prendeu nesta quinta-feira um motorista de um carro que transportava cinco latões de gasolina, uma motosserra e uma balestra artesanal, com várias flechas e um taco de beisebol, no centro de Toronto, não muito longe do local onde ocorre a Cúpula do G20 (países mais ricos e principais emergentes).

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Polícia canadense prende motorista (centro) de um carro cheio de armas encontrado perto do centro em Toronto onde se reunirão os líderes do G20
O condutor, um homem com óculos e cabelos grisalhos, foi rapidamente levado pela polícia, que havia parado seu veículo porque tinha uma espécie de caixa de ferramentas mal fixada no teto do carro.

O incidente aconteceu na frente do hotel Novotel, no centro da cidade, onde devem se hospedar os dirigentes do G20. "Estou feliz por termos encontrado tudo isso", disse um agente enquanto seus colegas examinavam o conteúdo do carro.

Essa é a terceira intervenção dos últimos dias em Toronto. Na terça e quarta feira, um técnico em informática, especialista em segurança, e sua companheira foram acusados de posse de explosivos com fins ilegais e armas perigosas.

Medidas de segurança

Para começar a acolher nesta quinta-feira os milhares de participantes internacionais do G20 em Toronto, o governo canadense fortaleceu a segurança e fez investimentos pesados.

No total, o Canadá gastou cerca de US$ 1 bilhão nas cúpulas do G20 e G8 (as oito maiores economias do mundo), que serão realizadas no fim de semana em Huntsville, na região de Muskoka, uma área de lagos a 200 quilômetros ao norte de Toronto.

AFP
Polícia canadense inspeciona área depois de prisão de motorista de um carro cheio de armas encontrado perto de local em Toronto onde se reunirão líderes do G20
O número contrasta com os US$ 18 milhões gastos durante a cúpula de chefes de Estado em setembro do ano passado em Pittsburgh (EUA) e com os US$ 30 milhões investidos na cúpula realizada em Londres em abril de 2009, segundo um relatório da universidade de Toronto.

Criticado pela oposição e nas páginas editoriais dos principais jornais do país pelo excesso, o primeiro-ministro Stephen Harper defendeu o investimento e sustentou que seria "irresponsável e censurável" que o Canadá não tivesse adotado as caras medidas de segurança necessárias para proteger os líderes mundiais.

As medidas em questão incluem desde uma cerca de segurança de três metros de altura, reforçada com gigantescos blocos de cimento, até os chamados "canhões sonoros" para dispersar os manifestantes. Além disso, inclui 20 mil policiais e seguranças que patrulharão a cidade.

Mas o que mais parece ter deixado os canadenses indignados são os cerca de US$ 2 milhões investidos no lago artificial e pavilhão turístico que foram instalados para reunir a imprensa que deverá cobrir o evento. O lago, rodeado de canoas e cadeiras de repouso, teve o acesso restringido a cerca de 150 jornalistas dos 3 mil que chegaram a Toronto.

Além disso, uma tela gigante ao fundo do lago projeta imagens de Muskoka para inspirar os repórteres que não puderam se deslocar até a área. Harper se referiu ao centro que alojará a imprensa como um "pavilhão de marketing", uma ideia assinada pelo ministro de Exteriores canadense, Lawrence Cannon.

"Para conseguir a publicidade que vamos conseguir (com o lago), não sei quantos bilhões de dólares teríamos de pagar", afirmou Cannon no início do mês.

Entre os beneficiados, estará o setor hoteleiro, que pendurou há dias o cartaz de "lotado". Hotéis como o Park Hyatt cobrarão neste fim de semana US$ 650 por noite por um quarto duplo, duas vezes mais do que custará o mesmo quarto na semana seguinte.

Também não faltaram moradores das proximidades que alugaram seus apartamentos pelo valor de US$ 8,4 mil, para o período de duas semanas.

Mas nem todos vão se dar bem por ocasião do G20. Muitos teatros e museus locais decidiram fechar suas portas por causa da avalanche de pessoas que chegam, mesma decisão tomada por dezenas de bancos e restaurantes.

Em geral, o governo não convenceu a opinião pública de que as despesas das cúpulas são "um investimento em longo prazo". Uma pesquisa de opinião indica que 68% dos canadenses consideram a despesa um desperdício e só 32% pensam que vale a pena.

Com AFP e EFE

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