Hollywood supera 11 de setembro e produz comédias politicamente incorretas

Antonio Martín Guirado Los Angeles (EUA), 23 abr (EFE) - Mais de seis anos depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, Hollywood conseguiu romper os tabus sobre o tema e prepara a estréia de cinco filmes, que abordam, em tom de comédia e de forma mais ou menos direta, a tragédia vivenciada pelo país. Nos últimos seis meses, os espectadores viram serem lançadas produções sérias sobre o assunto, como Leões e Cordeiros, de Robert Redford; O Preço da Coragem, de Michael Winterbottom e Redacted, de Brian De Palma. Agora, a indústria cinematográfica americana aposta em conferir ao tema um tom mais leve e acrescentar toques de humor a um assunto tão transcendental, embora o resultado sejam obras que possivelmente concorrerão aos troféus Framboesa de Ouro (uma espécie de Oscar às avessas) do próximo ano. No entanto, a primeira dúvida que surge é a seguinte: o público está preparado para assistir a filmes deste tipo? Por enquanto, a resposta é negativa. No último fim de semana chegou aos cinemas, de forma limitada, o documentário Where in the World is Osama bin Laden?, de Morgan Spurlock (Super Size Me - A dieta do palhaço), que arrecadou apenas US$ 143.

EFE |

299 nas 102 salas onde foi exibido.

Trata-se de uma crônica através de Marrocos, Israel, Egito, Arábia Saudita, Afeganistão e Paquistão na qual Spurlock segue o rastro pelo Oriente Médio do terrorista, considerado o cérebro dos atentados de 11 de setembro.

Além disso, estreou, de forma ainda mais humilde, "Zombie Strippers", uma comédia trash protagonizada pela ex-estrela de filmes pornô Jenna Jameson, que teve a sorte de ser exibido nos cinemas pouco antes de sair em DVD, mas nem chegou a entrar entre as 50 produções mais vistas do fim de semana.

No longa-metragem, cientistas americanos conseguem criar um novo vírus que revive os soldados mortos no Iraque e, transformados em zumbis, eles continuam sua luta.

Outras duas estréias que devem chegar às telas sem grande repercussão serão "War, Inc.", co-escrita e protagonizada por John Cusack, e "Postal", do alemão Uwe Boll, nos cinemas a partir de 23 de maio, coincidindo com o lançamento de "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal".

"Postal" começa com uma simulação do seqüestro dos aviões de 11 de setembro, na qual os terroristas comentam o paraíso que lhes aguarda quando concluírem sua missão.

Depois, um comandante enfrentará Bin Laden em "uma épica batalha que determinará o destino do mundo", afirma o diretor do filme.

O tom surrealista da proposta de Boll encontra sua explicação em que, pelo menos, provém de um financiamento independente, mas outros filmes, como a estréia da próxima semana nos EUA "Harold & Kumar: Escape from Guantanamo Bay", são produzidos pelos grandes estúdios, neste caso New Line e Warner Bros.

A história relata a viagem de dois amigos a Amsterdã antes de sofrer um problema com a segurança do aeroporto, que acaba com eles sendo presos.

Apesar disso, conseguem escapar e, como fugitivos do Departamento de Segurança Nacional, chegam ao Texas e se encontram com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

"Não acreditamos que a prisão de Guantánamo seja uma piada", disse Njambi Good, da Anistia Internacional nos EUA, em entrevista à edição digital do jornal "Politico".

O grupo de direitos humanos pretende, através de seus membros, distribuir panfletos nas portas das salas sobre a tortura em casos reais.

Hollywood já comprovou que filmes que tratam do conflito com seriedade, como "As Torres Gêmeas" (Oliver Stone, 2006) ou "Vôo United 93" (Paul Greengrass, 2006), tiveram uma morna acolhida na bilheteria, portanto agora tenta abordar o assunto através de uma óptica mais absurda e delirante.

"Não acho que tenha sido feita uma sátira ou um filme tão estranho e febril como esse", disse Cusack em alusão a "War, Inc.".

"Não é deprimente, mas é provocativo. E sua idiotice faz com que seja mais fácil de ser digerido". EFE mg/db

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