Hollywood e hispânicos impulsionam Obama na Califórnia

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 4 nov (EFE) - Cerca de 14 milhões de pessoas no estado da Califórnia, reduto tradicionalmente democrata, votam hoje nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, com o candidato Barack Obama contando com o apoio tanto das celebridades de Hollywood como da população hispânica na região.

EFE |

A disputa entre Obama e o republicano John McCain atrai quase toda a atenção no pleito na Califórnia, embora também estejam em votação 12 propostas vinculativas submetidas hoje a votação popular.

Entre as propostas, se destaca a número oito, que emendaria a Constituição da Califórnia para definir o casamento exclusivamente como forma de união civil entre um homem e uma mulher.

Os últimos dados divulgados informam que 49% dos eleitores optam pelo "não" (ou seja, apóiam que a Constituição continue como está, permitindo casamentos homossexuais), que 44% são favoráveis ao "sim" (querem a emenda que proíba esses casamentos) e que 7% estão indecisos.

Os hispânicos também mostram dúvidas com relação a esse assunto, já que os números são de 48% em favor do "não" e de 46% em favor do "sim" na comunidade em questão.

A Suprema Corte da Califórnia reconheceu em maio último o direito ao casamento de pessoas do mesmo sexo, que começaram a contrair matrimônio oficialmente no estado a partir de junho.

Personalidades de Hollywood como o ator Brad Pitt e o diretor Steven Spielberg e sua esposa Kate Capshaw se mostraram a favor de uma campanha contra a "Proposta 8", com doações para a causa de US$ 100 mil cada um.

A indústria do cinema, que sempre respirou ares liberais, foi responsável pela doação de mais de US$ 34 milhões na corrida eleitoral, com 75% dessa quantia destinados aos cofres dos democratas.

Durante a campanha deste ano, uma interminável fila de celebridades, entre elas George Clooney, Tom Hanks, Halle Berry, Susan Sarandon, Samuel L. Jackson, Morgan Freeman, Robert De Niro e Edward Norton, apoiaram Obama.

A população hispânica com direito ao voto representará 19% do total na Califórnia, uma percentagem cada vez mais decisiva e que não parou de aumentar desde os 11% registrados nas eleições de 1996.

Os hispânicos votarão majoritariamente no candidato democrata, com uma proporção de três para um, segundo as pesquisas.

A última enquete divulgada, realizada pela empresa The Field Poll, avalia que Obama ganhará na Califórnia por uma margem de 22 pontos percentuais, um dado sem precedentes na história do estado, impulsionado pelo voto das minorias e da juventude.

O estado da Califórnia é o que mais delegados eleitorais apresenta (55 de um total de 538) para o pleito presidencial, e no início da tarde (local) de hoje assistia a intermináveis filas nas portas dos colégios eleitorais.

Além disso, os cidadãos de San Francisco decidirão hoje também se descriminalizam ou não a prostituição, por meio de uma série de propostas, entre as quais se encontra a "Proposta K", que impediria as forças de segurança locais de prender ou investigar pessoas ligadas ao comércio sexual.

A "Proposta K" não legaliza tecnicamente a prostituição, porque esta ainda seguiria proibida sob as leis do estado, mas sim faria com que as detenções de prostitutas acabassem em San Francisco.

Apesar do frio, da chuva e de longas esperas, a população saiu às ruas nesta terça para votar. Grandes cortes de energia elétrica, como os que afetam desde a madrugada a região de Miracle Mile, em Los Angeles, também parecem não "minar" o ânimo dos eleitores.

"Cheguei aqui logo cedo e me disseram que não seria possível entrar para votar ainda, porque não há luz", disse Ana, uma jovem mexicana, à Agência Efe.

"Voltarei esta tarde. Muita coisa está em disputa", assegurou.

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