Holbrooke, artífice da paz na Bósnia, terá desafio afegão pela frente

Richard Holbrooke, nomeado nesta quinta-feira enviado americano para o Afeganistão e o Paquistão, promoveu o acordo de paz de Dayton, que pôs fim à guerra na Bósnia, em 1995.

AFP |

Apelidado de "Kissinger dos Bálcãs", Holbrooke, de 67 anos, é um homem brilhante e muito ambicioso, que dividiu sua vida entre a diplomacia e Wall Street.

Hoje, ele não escondeu sua emoção de ter sido escolhido pelo novo presidente Barack Obama para uma missão que será mais do que difícil.

Nascido em 24 de abril de 1941, em Nova York, ele iniciou sua carreira diplomática aos 21 anos, no Vietnã, graças a seu conhecimento da língua vietnamita.

Progrediu rapidamente, tornando-se, aos 35, secretário de Estado adjunto encarregado dos Assuntos Asiáticos, na gestão democrata de Jimmy Carter. Foi sob seu mandato que os EUA normalizaram suas relações diplomáticas com a China.

Na chegada do republicano Ronald Reagan ao poder, em 1981, Holbrooke entra para o banco de investimentos Lehman Brothers, do qual se torna diretor-geral.

Bill Clinton o convoca em 1993 e o nomeia embaixador na Alemanha. Em 1995, torna-se secretário de Estado adjunto para Assuntos Europeus, época em que faz várias viagens à ex-Iugoslávia em busca da paz na região.

Às vezes criticado por sua franqueza, arrogância e gosto pelos holofotes, fez maravilhas nas maratônicas negociações na base militar de Dayton, em Ohio, que culminaram, em 1995, no acordo de paz para a Bósnia, ainda considerado um dos maiores sucessos diplomáticos dos EUA.

Na época, a imprensa americana destacou "sua energia e sua determinação".

Alternando charme e agressividade, é capaz de trabalhar com base na manipulação e no cinismo e parece ter encontrado no então presidente sérvio, Slobodan Milosevic, um adversário à altura. Por ocasião da morte desse último na prisão de Haia, em 2006, Holbrooke afirmou que não derramaria "lágrimas" por esse "monstro".

Depois da assinatura dos acordos de Dayton, Richard Holbrooke volta para Wall Street e assume, em 1996, a vice-presidência do banco Crédit Suisse First Boston. Mas Bill Clinton volta a chamá-lo, em 1999, e ele se torna embaixador na ONU, cargo em que permanece até a chegada de George W. Bush ao poder, em 2001.

Nos últimos anos, colaborou com a revista "Foreign Policy" e fez parte de vários conselhos administrativos, como o da Coca-Cola.

Seu nome havia sido citado em 2004 como eventual secretário de Estado em caso de vitória do candidato democrata John Kerry, na corrida pela Casa Branca.

Pai de dois filhos, casou-se em 1994 pela terceira vez com Kati Marton, ex-jornalista e ex-mulher do apresentador falecido Peter Jennings.

sl/sd/tt

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