Holanda prende suspeito de 16 anos por ciberataques pró-WikiLeaks

Garoto é suspeito de ser um dos envolvidos em ataques contra sites de empresas como MasterCard e PayPal

iG São Paulo |

Promotores holandeses anunciaram ter prendido um garoto de 16 anos suspeito de envolvimento nos ataques digitais que dificultaram o acesso a vários importantes sites financeiros no início desta semana.

Em uma declaração, o escritório do promotor nacional disse que se acredita que o adolescente participou nos ciberataques lançados por ativistas do WikiLeaks em resposta às pressões internacionais, principalmente por parte dos Estados Unidos, pelo vazamento de mais de 250 mil telegramas diplomáticos americanos desde o fim de novembro.

AFP
Fundador do WikiLeaks, o australiano Juan Assange, é visto em foto ampliada
O fundador do site, Julian Assange, está detido em Londres depois que um pedido internacional de prisão foi expedido contra ele pela Interpol. Ele é acusado de estupro e abuso sexual por duas mulheres suecas.

A nota desta quinta-feira diz que o garoto foi preso em Haia, Holanda. Seu nome não foi divulgado. Não ficou claro se o suspeito desempenhou um importante papel nos ataques do grupo de hackers chamado Anonymous (“anônimo”, em inglês), que inundaram os sites com acessos.

Entre os alvos do grupo estão empresas como Mastercard, Visa e Paypal, que deixaram de permitir doações ao WikiLeaks.

'Bombardeio' de sites

Os ataques são realizados com a ferramenta LOIC, desenvolvida pelos hackers. O software já foi baixado mais de 31 mil vezes desde o início dos problemas envolvendo o WikiLeaks. Quando uma pessoa instala o LOIC, a ferramenta inclui voluntariamente a máquina em uma rede “botnet” - termo que define uma série de computadores infectados e controlados remotamente por meio de um vírus. Assim, essa rede “bombardeia” os sites-alvo com dados, fazendo com que sejam derrubados.

Nesta quinta, o Anonymous anunciou que atacaria às 14 horas de Brasília a Amazon.com, mas o site de compras parece ter sobrevivido à ofensiva por ter permanecido no ar. O ataque o Amazon foi justificado pelo fato de a loja online ter se negado a hospedar o WikiLeaks na semana passada. No entanto, o Amazon já está vendendo uma versão dos documentos vazados pelo WikiLeaks para seu aparelho digital de leitura (tablet), o Kindle.

Os ataques do grupo conseguiram derrubar temporariamente as páginas oficiais de Visa e MasterCard, o que também resultou em problemas para alguns usuários dos cartões de crédito dessas companhias. Além de lançar a ferramenta de ataque, o Anonymous também está ajudando a criar os chamados “sites-espelho”, que oferecem cópias exatas do conteúdo encontrado no WikiLeaks. Até o momento, há mais de mil páginas como esta.

Outras empresas que se afastaram do WikiLeaks, como o banco suíço PostFinance, que congelou a conta de Assange, também sofreram ataques. O banco diz que o fundador do site forneceu informações falsas ao abrir a conta na instituição.

Especialistas em segurança dizem que os sites foram atacados por um mecanismo chamado DDoS (distributed denial-of-service attack, ou “ataque distribuído de negação de serviço”, em inglês), que faz com que as páginas saiam do ar.

Ativismo virtual

Antes do ataque à Mastercard, um membro do Anonymous que se intitula Coldblood (“sangue frio”, em inglês) disse à BBC que várias ações estavam sendo executadas para afetar empresas que deixaram de prestar serviços ao WikiLeaks ou que supostamente estariam atacando o site.

"Sites que estão se curvando à pressão governamental se tornaram alvos", disse o hacker. "Como organização, nós sempre defendemos uma sólida posição sobre censura e liberdade de expressão na internet e nos voltamos contra os que buscam destruí-la por qualquer meio."

No entanto, o grupo Anonymous negou que que Coldblood seja seu porta-voz. Com a atenção que despertou a partir dos ataques, o grupo publicou seu manifesto no qual negou que seja formado por hackers.

"Anonymous não é uma organização... e certamente não é um grupo de hackers. Anonymous é uma consciência viva online, da qual fazem parte indivíduos diferentes com, às vezes, objetivos e ideais que coincidem."

*Com AP e BBC

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