Holanda está em crise pelas diferenças sobre a missão no Afeganistão

Bruxelas, 18 fev (EFE).- As diferenças dentro da coalizão que governa a Holanda com relação à possível extensão da missão militar que o país tem no Afeganistão abriram uma profunda crise no Executivo e coloca em dúvida a continuidade após meses de tensões.

EFE |

"O Governo está em crise, o colapso se aproxima", está no título hoje do jornal "De Telegraaf", que como a maioria das publicações dedica sua capa à ruptura que provocou no Executivo a recusa dos trabalhistas de prorrogar a presença dos soldados no Afeganistão.

O líder da formação, vice-primeiro-ministro e responsável de Finanças, Wouter Bos, deixou claro ontem à noite que não apoiará a prorrogação de um ano da missão que solicitou a Otan a Haia para trabalhar na formação de tropas afegãs.

"O último soldado deve deixar Uruzgan (a província em que estão as tropas holandesas) no final do ano. Vamos manter nossa promessa com os eleitores", disse Bos após uma reunião do Governo.

A postura dos trabalhistas bate de frente com a do primeiro-ministro, o democrata-cristão Jan Peter Balkenende, que considera que a Holanda deve cumprir com a sua "responsabilidade" e aceitar a solicitação da Aliança Atlântica.

A decisão estará sobre a mesa do conselho de ministros amanhã, mas hoje os trabalhistas devem reunir-se para analisar a situação.

Com 1,6 mil homens no Afeganistão, a Holanda sofreu 21 baixas desde 2006 e se comprometeu em responder o pedido da Otan até 1º de março.

Só dois dias depois, em 3 de março, serão realizadas no país as eleições municipais, nas quais os trabalhistas temem perder terreno se não mantiverem firme a posição com relação ao Afeganistão.

A coalizão a três - que também integra a União Cristã - já passou por momentos difíceis neste ano, especialmente após a publicação do relatório da "Comissão Davids" sobre a Guerra do Iraque.

O documento concluiu que o Governo (já com Balkenende) não informou corretamente ao Parlamento em 2003 quando decidiu apoiar à invasão liderada pelos EUA.

Essa informação provocou fortes tensões entre o Partido Trabalhista e o primeiro-ministro, que admitiu erros na gestão da Guerra do Iraque para acalmar os membros de coalizão, que em 2003 estavam na oposição e foram críticos à intervenção. EFE mvs/dm

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