HMR denuncia seqüestro de 100 pessoas pelo grupo guerrilheiro de Uganda

Campala, 19 mai (EFE).- A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje que o grupo guerrilheiro do norte da Uganda seqüestrou cerca de 100 jovens desde fevereiro passado, que são usados como carregadores ou como escravas sexuais.

EFE |

Segundo um comunicado da HRW, os seqüestros ocorreram na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo (RDC) e no sul do Sudão, países que o grupo rebelde Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês) costuma freqüentar.

"Os rapazes (seqüestrados) atuam como portadores ou são submetidos a treino militar e as meninas estão sendo usadas como escravas sexuais, de acordo com informação crível, incluindo documentos escritos, procedente de observadores estrangeiros e autoridades locais", diz o comunicado.

O LRA, um dos grupos rebeldes mais cruéis da África, seqüestrou milhares de crianças desde que pegou em armas, em 1987, para utilizá-los nas mesmas funções mencionadas hoje pela organização humanitária.

O grupo rebelde e o Governo de Uganda negociam há dois anos um acordo final de paz, mas o diálogo está interrompido e à beira do colapso porque o líder do LRA, Joseph Kony, se nega a assinar os documentos finais.

A guerra de Uganda causou milhares de mortos e deslocou de seu lar dois milhões de pessoas. Kony e seus tenentes são procurados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade.

Além destes seqüestros, o LRA "está envolvido em amplas operações de pilhagem nas vilas" da região para onde se deslocam, denunciou a HRW.

"Kony e o LRA aproveitaram a vantagem do espaço recebido (pelas conversas de paz) e parece que estão aterrorizando a população de novo", diz o diretor de Justiça Internacional da HRW, Richard Dicker.

Kony se nega a assinar o acordo final de paz porque, entre outras razões, exige que o TPI desista de processá-lo. O Governo de Uganda está mais propício a entregar esses crimes a tribunais locais.

"O TPI já foi o bode expiatório do LRA por tempo demais", diz Dicker no comunicado da HRW.

"Um julgamento justo e crível dos crimes mais graves cometidos pelos dois grupos durante o conflito armado de Uganda é crucial para uma paz sustentável e responsável", acrescenta. EFE fn/bm/fb

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