Histórica sentença por massacre de La Cantuta complica panorama de Fujimori

Lima, 8 abr (EFE).- Uma histórica sentença a 35 anos de prisão ditada hoje contra o ex-chefe dos serviços de informação do Peru pelo massacre de La Cantuta, de 1992, complicou o futuro do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que também esta sendo processado por este caso.

EFE |

A Justiça peruana condenou hoje o general reformado Julio Salazar Monroe, ex-chefe do Serviço Nacional de Inteligência, que tinha sido acusado dos crimes de desaparecimento forçado e homicídio qualificado.

A promotoria tinha pedido 30 anos de prisão, mas o Tribunal aumentou a condenação, ao considerar Salazar Monroe "autor mediato", por ter sido o chefe do serviço de inteligência quando o grupo seqüestrou e matou nove estudantes e um professor da universidade de La Cantuta, em Lima.

Além disso, a Justiça do país ditou penas de 15 anos de reclusão para os ex-membros do grupo Colina Orlando Vera Navarrete, Fernando Lecca Esquén e José Alarcón González.

O mesmo tribunal absolveu os ex-oficiais da Divisão de Forças Especiais (DIFE) Carlos Miranda Balarezo, Julio Rodríguez Córdova e Aquilino Portella, além dos ex-supostos integrantes do grupo Colina Ángel Pino Díaz e Manuel Hinojosa Sopla.

A sentença ratificou ainda uma resolução da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, que ordenou em 2006 que os envolvidos tinham de pagar "US$ 50.000 para cada pai, mãe, cônjuge e filho das vítimas e US$ 20.000 para cada irmão".

O tribunal estabeleceu em sua sentença que não somente está comprovada a existência do grupo Colina, mas também que este funcionou "com consentimento dos altos chefes militares" do aparelho do Estado durante a gestão de Fujimori (1990-2000).

O ex-governante, que foi extraditado do Chile em setembro, está sendo processado por supostamente ser o "autor mediato" dos crimes cometidos em La Cantuta e em Barrios Altos, onde foram assassinadas 15 pessoas, em 1991.

Fujimori assinalou na segunda-feira passada, durante uma das audiências de seu julgamento, que não foi consultado nem teve conhecimento das operações militares encobertas que culminaram no massacre.

A sentença emitida hoje precisou que o grupo Colina foi adscrito ao Serviço de Inteligência Nacional com a missão e o objetivo de eliminar supostos subversivos.

O massacre de La Cantuta ocorreu no dia 18 de julho de 1992, quando os integrantes do Colina entraram na universidade e detiveram nove estudantes e um professor.

Foram detidos o professor Hugo Muñoz e os alunos Juan Mariños Figueroa, Heráclides Pablo Meza, Robert Teodoro Espinoza, Armando Amaro Cóndor, Luis Enrique Ortiz Pereda, Dora Eyague Fierro, Felipe Flores Chipana, Bertila Lozano Torres e Marcelino Rosales Cárdenas.

As investigações judiciais e jornalísticas, assim como o relatório apresentado em 2003 pela "Comissão da Verdade", assinalaram que os detidos foram executados e depois seus corpos foram carbonizados e enterrados nos arredores de Lima.

Também é julgado pelo caso o ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos, o ex-comandante geral do Exército Nicolás Hermoza Ríos e os ex-oficiais Santiago Martin Rivas e Carlos Pichilingüe, considerados os chefes de operação e de logística do grupo Colina, respectivamente.

Além disso, será julgado o ex-militar Jesús Sosa Saavedra, detido em Lima na semana passada, após mais de oito anos na clandestinidade. Ele é acusado de executar de maneira extrajudicial cerca de 30 pessoas e depois queimar seus corpos.

Antes de conhecer os detalhes da sentença, o promotor José Peláez Bardales tinha assinalado que ela "marcará um precedente" no processo de Fujimori por violações dos direitos humanos.

"Indubitavelmente esta sentença é muito importante, porque demonstrará, caso sejam condenados, a existência do grupo Colina.

Ninguém vai poder discutir a existência deste destacamento", concluiu. EFE dub/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG