Histórias de fantasmas e imigrantes guiam turistas por Buenos Aires

Joan Faus. Buenos Aires, 1 fev (EFE).- A chegada de imigrantes europeus ao antigo porto de Buenos Aires no século XIX, ou as misteriosas lendas que acontecem no centro histórico da cidade, são alguns dos percursos teatrais que contam parte da história da capital argentina.

EFE |

Há algumas semanas, moradores locais e turistas podem descobrir o passado de alguns dos cantos mais famosos da cidade, através de quatro circuitos de teatro de rua de uma hora de duração nos quais participam 15 atores e três músicos.

Esta iniciativa, pioneira em Buenos Aires, representa uma "viagem no tempo" que leva os espectadores ao "lugar e instante" no qual se desenvolveram alguns dos episódios mais significativos da história da capital argentina, explicou à Agência Efe a coordenadora do projeto, Marisé Monteiro.

Os percursos teatrais acontecem em quatro pontos da cidade e se centram em uma temática concreta: as lendas do centro histórico de Buenos Aires, a luta pela independência da Argentina, as correntes migratórias que chegaram no século XIX e o bairro no qual viveu um escritor.

Na parte antiga de Buenos Aires, os espectadores percorrem seus cantos "mais obscuros" para conhecer algumas das lendas surgidas no bairro turístico de San Telmo, disse Marisé.

"Esta não é uma árvore qualquer, cresceu sem que ninguém a visse em um verão de há 500 anos. Façam silêncio, por favor, prestem atenção a seus sons", anuncia um dos atores perante a centena de visitantes que rodeiam uma árvore em que, segundo a lenda, uma mulher nativa se transformou.

Em seguida, o público cruza com o fantasma do poeta Esteban Echeverría, que lhes conta, enquanto toca o violino, que continua sem se atrever a falar com a jovem de 16 anos pela qual se apaixonou loucamente.

Em sua viagem ao passado, os visitantes conhecem também três pessoas doentes pela epidemia de febre amarela que matou em 1871 cerca de 13 mil portenhos, 8% da população, e que provocou um êxodo dos moradores de San Telmo para outras partes da cidade.

"Igual a Londres e Edimburgo (Reino Unido), Buenos Aires tem lendas medievais, que não aparecem nos registros oficiais mas que são muito conhecidas", assegurou a coordenadora do projeto.

Na Praça de Maio, onde fica a Casa Rosada, atual sede do Governo argentino, os espectadores podem conhecer os desdobramentos da revolução que se originou nesse mesmo lugar em 1810 e que culminou, depois de seis anos, na independência da Argentina da Espanha.

Os visitantes transcorrem por quatro palcos localizados na praça dos quais vários atores, vestidos com roupa da época, relatam os costumes da vida colonial e o ideário político da época.

O terceiro dos circuitos teatrais percorre o antigo porto do popular bairro de La Boca, ao qual chegaram, no final do século XIX, vários imigrantes europeus que se fixaram na Argentina.

Através de canções e bailes dos atores, os visitantes descobrem os motivos que levaram os europeus a emigrar e aprendem, por exemplo, que os alemães se tornaram comerciantes, enquanto os russos judeus buscavam fugir das perseguições do czar.

O último dos circuitos se situa no bairro de Flores, onde se visitam os lugares que costumava frequentar o escritor argentino Roberto Arlt (1900-1942) quando vivia nesta parte da cidade, e se conhece também alguns de seus personagens mais famosos.

Os quatro circuitos urbanos tiveram uma boa recepção do público de Buenos Aires desde seu começo há algumas semanas, por isso que os organizadores estudam iniciar novos percursos em outros pontos da capital argentina.

Os circuitos, que são gratuitos e contam com a colaboração dos órgãos turísticos da cidade, costumam reunir 200 espectadores, divididos em partes iguais entre portenhos e turistas. EFE jfa/ma

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