Historiador acusa CIA de atacar navio britânico que ia para Cuba em 1964

Londres, 26 out (EFE) - Um historiador naval acredita que um navio de carga que levava 42 ônibus britânicos para Cuba foi atacado no rio Tâmisa em 1964 em um complô da CIA (agência central de inteligência americana) para fazer cumprir o embargo dos Estados Unidos, informou hoje o jornal The Observer.

EFE |

Segundo o periódico, o historiador John McGarry encontrou alguns documentos que reforçam as suspeitas de alguns acadêmicos no sentido de que o cargueiro, o MV Magdeburg, da Alemanha Oriental, foi sabotado a pedido dos serviços secretos dos EUA.

O MV Magdeburg havia deixado o porto de Dagenham, ao leste do rio Tâmisa, em uma fria e nublada noite de outubro de 1964 com 42 ônibus Leyland com destino a Cuba, uma exportação que fora apoiada pelos primeiros-ministros Alec Douglas-Home (1963-64) e Harold Wilson (1964-70 e 1974-76).

O jornal ressalta que a empresa Leyland Motors optou por um navio da Alemanha Oriental diante da ameaça dos EUA de adicionar a uma lista negra qualquer embarcação que violasse o bloqueio de transporte imposto nos anos 1960.

Ao navegar pelo Tâmisa, o MV Magdeburg foi atacado à noite pelo navio japonês Yamashiro Maru, mas ninguém morreu nem respondeu pelo acontecido, ressalta a reportagem do periódico, intitulado "CIA acusada de sabotagem no Tâmisa".

"Foi um acidente", teria dito Keith Roms, um tripulante de uma embarcação de resgate que, naquela noite, trabalhava no Tâmisa.

No entanto, McGarry encontrou nos arquivos marítimos da antiga República Democrática Alemã as provas apresentadas pelo capitão britânico do MV Magdeburg, Gordon Greenfield.

Segundo Greenfield, o navio japonês tinha violado o direito internacional ao navegar na direção contrária e dar sinais falsos.

Ao ser localizado agora, 44 anos depois do possível acidente, Greenfield disse que a visibilidade era boa, apesar do nevoeiro, e que os dois navios podiam claramente ver um ao outro, acrescenta o jornal.

O diretor da Nova Fundação de Segurança de Berlim, Harold Elletson, disse ao periódico que "seria ingênuo pensar que a CIA não se atreveria a afundar um navio da Alemanha Oriental em um estuário vital de um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)".

"Estavam pressionados para obter resultados e tinham um grande orçamento de sabotagem", acrescentou.

Já Anthony Glees, professor de estudos de espionagem da Universidade de Buckingham, disse que não parece totalmente falso o fato de ter se tratado de um afundamento deliberado. EFE vg/fh/db

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