História política da Guiné-Bissau é marcada por golpes

A curta história da Guiné-Bissau como estado independente é marcada por golpes e tentativas de golpes de Estado, que contribuíram para desestabilizar o país, um dos mais pobres de mundo.

EFE |

Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau em 10 de setembro de 1974 e Luis Cabral, do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), assumiu a presidência.

Nas primeiras eleições, em dezembro de 1976, saíram os membros da Assembleia Nacional Popular, da qual seu então presidente, João Bernardo "Nino" Vieira, ocupou o poder até ser derrubado, em 7 de maio de 1999.

Apenas em 1990, havia se introduzido o multipartidarismo.

O golpe que derrubou Vieira foi precedido por uma rebelião militar em junho de 1998, causada pela destituição do general Ansumane Mané como chefe do Exército.

Após meses de combates esporádicos, Mané e Vieira assinaram nesse mesmo ano, em Abuja, na Nigéria, um acordo de paz do qual surgiu um governo de união nacional, mas que durou pouco tempo.

O golpe de Estado no qual Vieira foi deposto deixou 100 mortos e obrigou o ex-presidente a se exilar em Portugal.

Em 13 de maio de 1999, o presidente do Parlamento, Malam Bacai Sanhá, ocupou a presidência interina e o general Mané ficou à frente da Junta Militar.

Em janeiro de 2000, o líder do Partido da Renovação Social (PRS), Kumba Yalá, se tornou o primeiro presidente eleito após o levante militar.

Ele enfrentou a difícil reconstrução de um país arruinado pelos combates e, em novembro de 2000, o general Mané, que reivindicava o comando supremo das Forças Armadas, protagonizou uma frustrada tentativa de golpe.

Houve um novo levante, em dezembro de 2001, e, em seguida outro, em maio de 2002, com o qual Yalá acusou a vizinha Gâmbia de cumplicidade.

Em novembro de 2002, Yalá dissolveu o Parlamento, convocando eleições para fevereiro de 2003, após as quais Mario Pires (PRS) foi nomeado primeiro-ministro, o quarto em dois anos, do governo de transição dominado por esse partido.

A pedido da ONU, foram convocadas eleições para outubro de 2003, mas, em 14 de setembro desse ano, um novo golpe depôs Yalá e a junta militar nomeou Henrique Rosa como presidente interino.

Nas eleições legislativas de 28 de março de 2004, o PAIGC conseguiu 40 das 102 cadeiras da Assembleia e Carlos Gomes Júnior foi nomeado primeiro-ministro.

Em outubro daquele ano, porém, a falta de pagamento de salários atrasados dos militares enviados como soldados da ONU à Libéria causou um motim no qual morreu o chefe de Estado-Maior, general Correia Seabra.

O levante terminou com uma anistia geral aos implicados em insurreições desde 1980.

Em maio de 2005, a Corte Suprema autorizou Vieira e Kumba Yalá, que também havia deixado o país exilado, a retornar e concorrer às eleições presidenciais daquele ano.

Vieira ganhou o segundo turno contra Bacai Sanhá. Ele dirigiu dois gabinetes sucessivos, que duraram pouco devido a desacordos na divisão de ministérios entre PAIGC e PRS.

Em agosto de 2008, Vieira nomeou Carlos Correia como primeiro-ministro, após dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas para novembro.

Poucos dias antes, os serviços de segurança do Exército do país prenderam o almirante José Américo Bubo Na Tchuto, acusado de preparar um golpe de Estado.

Em 16 de novembro de 2008, o PAIGC obteve a maioria absoluta na eleição legislativa com 67 das 100 cadeiras do Parlamento.

Após outra tentativa de levante militar, em 23 de novembro, o presidente Vieira nomeou Carlos Gómez Júnior, líder do PAIGC como primeiro-ministro, em 26 de dezembro.

Em 2 de março de 2009 Vieira é assassinado por soldados leais ao chefe do Estado-Maior do Exército, general Tagmé Na Wai, morto no dia anterior em um atentado a bomba.

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