Washington, 27 mai (EFE).- As declarações da juíza Sonia Sotomayor sobre a importância de sua identidade latina se tornaram uma arma para alguns grupos conservadores dos Estados Unidos, que começaram a taxá-la de ativista judicial.

A magistrada de origem porto-riquenha, indicada pela Casa Branca para preencher uma vaga na Suprema Corte, é objeto já de uma minuciosa apuração por parte de republicanos e grupos conservadores, que começaram a resgatar velhas declarações da juíza.

Entre as declarações que vieram à luz está um discurso de 2001 na Universidade de Berkeley, na Califórnia, em que Sotomayor refletiu sobre sua identidade étnica, seu trabalho como juíza e a ligação entre os dois fatores.

"Nosso gênero e origens nacionais podem e de fato exercem diferenças em nossa forma de julgar", disse Sotomayor.

"Frequentemente se cita a magistrada (Sandra) O'Connor dizendo que um homem e uma mulher idosos e sábios chegarão à mesma conclusão em um caso", comentou Sotomayor, que disse "não ter certeza" se concorda com a afirmação.

"O que eu esperaria é que uma mulher latina sábia com a riqueza de suas experiências alcance geralmente conclusões melhores que um homem branco que não tenha vivido essa vida", concluiu, então, a advogada de 54 anos.

Esses pontos de vista puseram em pé de guerra associações conservadoras como a Judicial Confirmation Network.

Wendy Long, assessora do grupo, afirmou em comunicado emitido hoje que Sotomayor é uma "ativista judicial liberal de primeira categoria que pensa que sua própria agenda política é mais importante que as leis que já estão prontas".

Long criticou a candidata de Obama para o máximo tribunal do país por crer que fatores como o gênero e a raça têm impacto na hora de tomar decisões.

Jay Sekulow, do também conservador American Center for Law and Justice, criticou a decisão da Casa Branca e antecipou que a seleção de Sotomayor vai gerar um debate nacional sobre o ativismo judicial e o papel do Poder Judiciário.

A Casa Branca, enquanto isso, diz estar convencida de que sua candidata, considerada uma progressista moderada, será confirmada pelo Senado sem grandes problemas.

Na atualidade, oito dos nove membros do Supremo são brancos, entre eles uma mulher, e outro é negro, o conservador Clarence Thomas. EFE tb/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.