Hirst promove leilão revolucionário e arrecada quase US$ 130 milhões

Pedro Alonso. Londres, 15 set (EFE).- Damien Hirst confirmou hoje sua fama de rei Midas da arte ao arrecadar 70,5 milhões de libras (US$ 127,2 milhões) em um revolucionário leilão em que um touro no formol se tornou sua obra mais cara.

EFE |

O já milionário artista britânico tem que comemorar, porque o primeiro dia de leilão na casa Sotheby's de Londres, que seguirá esta terça-feira, superou os mais de 65 milhões de libras (US$ 116 milhões) que os leiloeiros previam que seria o resultado total.

"O leilão foi impressionante. Não esperávamos nada assim", comentou à Agência Efe uma porta-voz da galeria londrina, ao destacar que, dos 56 lotes oferecidos hoje, só dois ficaram sem comprador.

Hirst, ausente na sala, ainda pulverizou o recorde em um leilão dedicado a um único artista, que era ostentado pelo espanhol Pablo Picasso (1881-1973), segundo a Sotheby's.

Famoso por mergulhar animais em formol, o "enfant terrible" da arte britânica - que tem talento, mas, sobretudo, olfato para o negócio - pôde comprovar hoje que seu zoológico suscita paixões em um mercado da arte que parece imune à crise econômica mundial.

O lote estrela foi "The Golden Calf" ("O bezerro de ouro"), que foi vendido, entre murmúrios de assombro e aplausos da concorrência por 10,34 milhões de libras (US$ 18,66 milhões), um recorde para uma obra do artista.

"The Golden Calf", que faz parte de um leilão com mais de 200 obras de Hirst, é um bezerro conservado em um grande tanque de vidro cheio de formol que evoca o Apis, o touro sagrado egípcio que possui um disco solar entre seus chifres.

O animal, que tem patas e chifres de ouro de 18 quilates e um disco, também de ouro, em cima de sua cabeça, pulverizou a marca anterior de Hirst, de 9,6 milhões de libras, registrada na venda de "Lullaby Spring", um armário de botica.

Outra obra adquirida foi o tubarão tigre, também submergido em um tanque de formol e batizado como "The Kingdom" ("O Reino"), que foi arrematado por 9,56 milhões de libras (US$ 17,24 milhões).

Ambos os animais foram adquiridos por licitantes por telefone, e os leiloeiros, por enquanto, recusaram revelar seus nomes.

Antes do leilão, especialistas não descartavam que a fauna dissecada de Hirst seduzisse oligarcas russos, milionários do Oriente Médio que nadam em petrodólares ou novos ricos asiáticos.

O terceiro preço mais alto foi pago por "Fragments Of Paradise", uma estante de aço inoxidável formada por ordenadas fileiras de cristais e diamantes que foi arrematada por 5,2 milhões de libras (US$ 9,2 milhões).

Além da arrecadação, o acontecimento constitui uma revolução, pois é a primeira vez que um artista vende em um leilão sua última produção, sem ir previamente a um marchand, atrevimento que pode mudar drasticamente o mercado da arte.

"Embora haja seu risco, aceito o desafio de vender assim minha obra. Não quero deixar de colaborar com minhas galerias, mas isto é diferente. O mundo está mudando, e quero saber aonde conduz este caminho", disse Hirst antes do leilão.

O artista, representante mais conhecido do movimento BritArt, gerou grande expectativa e, na entrada da sede da Sotheby's, longas filas se formaram.

Apesar de ter transformado em dinheiro quase tudo o que toca, os detratores de Hirst alegam que suas obras não são mais que um fenômeno comercial e uma moda passageira, e criticam o fato de que mais de 100 pessoas trabalhem para ele em suas criações.

Um de seus críticos, a jovem artista Christina Brode, protagonizou hoje um "protesto pacífico" ao aparecer perante a porta de Sotheby's com uma camiseta escrito "campanha a favor dos verdadeiros artistas".

Perguntada pelo motivo de sua manifestação, Brode respondeu que pretendia expressar sua oposição a Damien Hirst por conceber a arte como um frio "cálculo para fazer dinheiro". EFE pa/rr

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