Hindus seguem peregrinação a templo indiano que foi palco de tragédia

Julia R. Arévalo Nova Délhi, 4 ago (EFE) - Fiéis vindos de todo o norte da Índia continuaram sua peregrinação ao templo hindu de Naina Devi, no Himalaia indiano, apesar da tragédia que deixou 146 pessoas mortas neste domingo durante uma fuga precipitada.

EFE |

Na noite de domingo, quando os serviços de resgate e voluntários terminavam de prestar ajuda às vítimas, recomeçou a peregrinação ao santuário, situado no alto de uma montanha no distrito de Bilaspur, na região de Himachal Pradesh.

"Hoje veio muita gente. A devoção não é afetada por essas coisas", disse à Agência Efe Direndra Kumar, responsável pelo templo de Naina Devi, ao qual se chega subindo a pé um trecho de 1,5 quilômetro.

Outro responsável pelo santuário disse à agência "PTI" que "o número de devotos caiu", fato atribuído tanto à tragédia quanto à previsão do tempo, que anunciou fortes chuvas.

Habitualmente, 25 mil pessoas vão até o templo em dias úteis, número que dobra nos finais de semana durante os dez dias do festival hindu de Shravan Ashtami.

No domingo, no entanto, o número de fiéis ultrapassou todas as previsões, e um rumor de deslizamento de pedras na colina onde está situado o templo gerou pânico a 400 metros do santuário e causou a fuga precipitada que deixou 146 mortos, a maioria mulheres e crianças, informou hoje à Efe o subinspetor de Polícia Jagtar Singh.

Kumar explicou que a aglomeração de fiéis em um refúgio contribuiu para a tragédia, pois chovia no momento do incidente.

Um total de 45 feridos foi atendido no hospital de Anandpur Sahib, situado a 20 quilômetros no estado indiano vizinho do Punjab.

Dez continuam internados e passam bem, disse à Efe uma fonte médica.

Até agora, 130 corpos foram identificados e entregues hoje a seus familiares, a maioria de estados vizinhos, que se queixavam com a imprensa da falta de organização que multiplicou a tragédia e da brutalidade da Polícia de Himachal Pradesh.

"Um policial me agrediu após a fuga precipitada. Depois, outros se uniram a ele e bateram com cassetetes na multidão. Isso fez com que as coisas ficassem muito piores. Se a Polícia tivesse ajudado as pessoas, as baixas seriam menores", declarou à agência "Ians" Bali Singh, fiel do estado de Haryana que tinha ido ao templo.

"Nada disso ocorreu. O que aconteceu é que começaram a cair pedras da montanha, e todo mundo saiu correndo de volta para baixo.

Os que ficaram embaixo foram esmagados", contou o oficial Singh.

O chefe do Governo de Himachal Pradesh, Prem Kumar Dhumal, anunciou que haverá uma investigação sobre o abuso de força policial, prometeu indenizações e ordenou que se tomassem as medidas necessárias para evitar outro acidente durante o festival religioso.

"Pede-se aos peregrinos para formar uma fila ordenadamente e que não acreditem nos rumores. Pessoal da Polícia, vigilantes e voluntários estão ali para garantir que os fiéis permaneçam na fila", disse a fonte do templo à "PTI".

"A situação está totalmente sob controle", assegurou Kumar.

Com as novas medidas de segurança, centenas de peregrinos já começaram domingo à noite a subida para o templo de Naina Devi, ainda repleta de sapatos, sandálias e outros pertences das vítimas da tragédia.

"Caminhamos durante seis dias e acabamos de chegar. Sabemos da tragédia de ontem, mas isso não muda nossa resolução de obediência (à deusa Sati)", disse à "Ians" o peregrino Manjit Kumar, acompanhado de três amigos.

"É uma questão de fé. Claro que a tragédia nos abala, mas a fé é suprema; a vida tem que continuar", declarou Ram Prakash, procedente de outro distrito de Himachal Pradesh.

Naina Devi - que significa "olhos da deusa" - é um dos 51 locais de adoração da deusa Sati, esposa de Shiva, a quem os peregrinos prestam voto de obediência.

O santuário de Himachal Pradesh é um dos mais populares da Índia, país onde os acidentes de trânsito e de outra natureza são freqüentes durante as múltiplas concentrações religiosas, às vezes de milhões de pessoas.

Em 1981, outra fuga precipitada causou a morte de 53 peregrinos em Naina Devi. EFE ja/wr/db

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