Washington, 9 abr (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, considerou hoje que os irmãos Fidel e Raúl Castro não querem o fim do embargo à ilha porque perderiam todas suas desculpas pelo que não aconteceu em Cuba nos últimos 50 anos.

Hillary assinalou que o Governo do presidente Barack Obama fez algumas aproximações do regime cubano ao permitir mais viagens de parentes e mais oportunidades de negócio para os produtos agrícolas do país.

Também dialogou com Cuba em alguns assuntos de interesse comum como a migração e o tráfico de drogas, mas não obtiveram a resposta esperada por parte do regime cubano, segundo ela.

"Há maneiras nas quais tentamos melhorar nossa cooperação, mas na minha opinião pessoal os Castro não querem ver o final do embargo e não querem ver a normalização (das relações) com os EUA, porque perderiam todas suas desculpas pelo que não aconteceu em Cuba nos últimos 50 anos", assinalou.

"Em Cuba poderia haver uma oportunidade de transição para uma democracia e é algo que vai acontecer em algum momento, mas é possível que não aconteça a curto prazo", disse.

Hillary fez estas declarações na Universidade de Louisville (Kentucky), onde deu uma conferência sobre a não proliferação nuclear.

A secretária assinalou que sempre que se tentou fazer uma aproximação de Cuba "o regime (dos) Castro tem alguma coisa para tentar obstaculizá-lo".

Ela lembrou que quando seu marido, Bill Clinton, estava na Presidência e tentou fazer algumas aberturas para Cuba "(Fidel) Castro ordenou que seus militares derrubassem dois pequenos aviões sem armas procedentes de Miami que jogavam panfletos".

O mesmo aconteceu agora com a detenção do contratista Alan Gross, que foi preso quando distribuía em Havana computadores portáteis, celulares e outros equipamentos tecnológicos, a quem Cuba acusa de ser espião.

Também acusou o regime de deixar o dissidente Orlando Tamayo morrer, após 85 dias em greve de fome.

A secretária assinalou que pela primeira vez países que criticaram o fato de o Governo americano não ter se aberto à ilha "começaram a criticar Cuba porque estão deixando o povo morrer.

Estão deixando os grevistas morrerem e têm 200 prisioneiros políticos nas prisões por razões triviais".

"Acredito que muitos no mundo estão começando a ver o que vimos durante muito tempo, um regime intransigente e enraizado, repressor das oportunidades dos cubanos e que espero que comece a mudar", afirmou. EFE elv/ma

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