Hillary viaja ao Haiti para analisar resposta humanitária

WASHINGTON - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, viaja neste sábado ao Haiti para saber como pode agilizar a resposta humanitária às necessidades do país caribenho e para ajudar na retirada dos americanos após o terremoto de terça-feira.

iG São Paulo |

Ao anunciar a viagem em uma entrevista coletiva na sexta-feira, Hillary disse que as equipes de vários países lutavam "contra o relógio" para socorrer as vítimas do tremor.

AFP
Voluntário da Cruz Vermelha auxilia bebê de um mês em Porto Príncipe
Voluntário da Cruz Vermelha atende bebê de um mês em Porto Príncipe


A secretária de Estado chegará a Porto Príncipe carregada de ajuda humanitária e acompanhada do diretor da agência americana para o desenvolvimento internacional (Usaid), Rajiv Shah.

Além de se reunirem com o presidente haitiano, René Préval, e com equipes de socorro, ambos visitarão a região afetada pelo terremoto.

Segundo Hillary, durante a viagem ela comunicará ao povo haitiano o "apoio incondicional de longo prazo" de seu país na reconstrução do Haiti.

"Voltarei com alguns americanos que esperam ser retirados, por isso também há razões muito tangíveis" para a viagem, disse na sexta-feira a chefe da diplomacia americana.

A secretária acrescentou que não deverá deixar a área do aeroporto para não atrapalhar nos trabalhos de resgate e para que o uso de automóveis seja exclusivo para o transporte de socorristas e profissionais de saúde.

Quando voltar de viagem, Hillary pretende telefonar para outros líderes mundiais e informá-los dos esforços humanitários no Haiti.

Neste sábado, a Casa Branca informou que o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, sua mulher, Jill, e a secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, viajarão no domingo ao sul da Flórida para se reunir com líderes da comunidade haitiana.

A visita à Pequena Haiti, em Miami, é motivada pela decisão do governo de conceder o Status de Proteção Temporário (TPS, na sigla em inglês) aos milhares de imigrantes haitianos que vivem ilegalmente nos EUA.
Bush-Clinton por Haiti
O presidente americano, Barack Obama, anunciou neste sábado a criação do fundo Clinton-Bush para o Haiti na intenção de, com a ajuda dos ex-chefes de Estado, organizar a sociedade civil dos Estados Unidos nos esforços humanitários e de reconstrução do país caribenho.
Ao lado dos ex-presidentes Bill Clinton (democrata) e George W. Bush (republicano) nos jardins da Casa Branca, Obama louvou a "extraordinária generosidade" dos EUA em relação ao Haiti e reafirmou o compromisso de seu governo com os esforços de reconstrução, que "será medida em meses e anos".

Após uma reunião de meia hora, Obama disse que Clinton (1993-2001) e Bush (2001-2009) "farão um trabalho extraordinário" ao "aproveitar a incrível generosidade e o espírito positivo do povo americano para ajudar nossos vizinhos em crise".

A tarefa de seus antecessores, explicou Obama, será liderar um esforço nacional para obter doações de pessoas físicas, empresas, ONGs e demais instituições por meio do site "www.clintonbushhaitifund.org".

Essa missão lembra um esforço similar feito após o tsunami de 2004 no Sudeste Asiático, quando George W. Bush recrutou seu pai, o também ex-presidente americano George Bush, e o próprio Clinton para incentivar o setor privado a ajudar.

O terremoto no Haiti é a primeira grande crise humanitária do governo Obama. Segundo a Cruz Vermelha, o número de mortos pode chegar a 50 mil - segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), todos os terremotos ocorridos no mundo em 2009 mataram 1.783 pessoas.

O dinheiro pedido pelo fundo Clinton-Bush não será destinado apenas para as necessidades imediatas, como água potável, comida, atendimento médico e o estabelecimento de albergues, mas também para as tarefas de reconstrução no longo prazo.

Para Bush, a forma mais eficaz de ajuda é doar dinheiro. "Sei que muita gente quer enviar cobertores e água. Só enviem seu dinheiro", disse Bush, que, ao lado de Clinton, comprometeu-se a "assegurar que seu dinheiro será sabiamente gasto".

Enviado especial das Nações Unidas para o Haiti, Clinton se mostrou pessoalmente afetado pela tragédia já que, segundo ele, tinha se hospedado muitas vezes em hotéis que agora são escombros e conheceu muitas pessoas que morreram no terremoto.

Além do envio de equipamentos militares e médicos e da ajuda humanitária, o governo americano disse que dará o Status de Proteção Temporário (TPS) durante 18 meses para os haitianos que vivem ilegalmente no país.

O TPS é um benefício migratório oferecido por Washington a pessoas que não podem retornar para seu país de origem por conflitos armados e desastres naturais.

Assim, o TPS só será dado aos haitianos que se encontravam nos EUA antes do dia do terremoto e, para não incentivar um êxodo em massa, as autoridades mandarão de volta quem tentar entrar ilegalmente no país.

*Com informações da EFE

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