BRASÍLIA - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, acusou hoje o governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de promover instabilidade interna e externamente. Evitando comentar sobre as suspeitas de que Chávez apoiaria ações de grupos armados, a secretária sugeriu que o governo venezuelano se mire no Brasil e no Chile.

Segundo ela, dois países que "têm êxito" e que respeitam a liberdade de expressão.

Hillary afirmou não estar "familiarizada" com as investigações da Justiça da Espanha que informam a existência de um suposto envolvimento de apoio de Chávez com ações do grupo separatista País Organização Basco e Liberdade (ETA) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

As ações, segundo as investigações, seriam organizadas com o objetivo de assassinar o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero.

Chávez negou as denúncias e acusou os Estados Unidos de estarem por trás das suspeitas. "Não estou familiarizada com as questões (levantadas em investigações pela) Espanha. Mas conheço as alegações do presidente da Venezuela", disse a secretária, ao lado do chanceler brasileiro, durante entrevista coletiva em Brasília.

"Nós (americanos) não participamos de nada que possa prejudicar qualquer venezuelano. Mas nós estamos observando que está se minando pouco a pouco as liberdades na Venezuela. Esperamos que a Venezuela possa retomar a liberdade, olhar mais para o Sul (das Américas) e para modelos como Brasil e Chile, países que têm êxito".

Amorim aproveitou a afirmação de Hillary que sugeriu a Chávez que olhe mais para o "Sul" e defendeu a integração da Venezuela no Mercosul. "A Venezuela tem de olhar mais para o Sul por isso convidamos para integrar o Mercosul. Isso será positivo em todos os sentidos", disse.

A integração da Venezuela no Mercosul foi aprovada pelo Congresso Nacional, depois de uma intensa polêmica entre governistas e oposição. O assunto agora depende de votação e aprovação no Legislativo do Paraguai. Porém, entre os paraguaios, a tendência é de rejeição à participação dos venezuelanos no bloco.

Para evitar que ocorra a rejeição à participação venezuelana no bloco, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, adia a votação da medida no Congresso. Não há data para isso ocorrer.

(Agência Brasil)

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