María Peña Washington, 8 jun (EFE).- Com a saída de Hillary Clinton da disputa pela candidatura para a presidência, o Partido Democrata iniciou hoje o processo de unificação em torno do senador Barack Obama para conseguir uma vitória nas eleições de novembro.

Hillary se despediu oficialmente da corrida pela Casa Branca no sábado com um discurso em Washington no qual pediu que seus 18 milhões de partidários esquecessem seus rancores e ajudassem Obama a se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

Muitos eleitores de Hillary, tristes e em alguns casos revoltados, responsabilizaram a imprensa pela derrota da senadora por Nova York e ameaçam não ir às urnas e até votar no republicano John McCain.

Nesta situação é que os programas de televisão começaram a analisar o discurso de Hillary, seu desempenho nas primárias e o que os democratas devem fazer visando às eleições de 4 de novembro.

Além disto, desde as últimas primárias democratas, realizadas na última terça, aumentaram as especulações sobre quando será escolhido o vice de Obama.

A senadora democrata pela Califórnia, Dianne Feistein, afirmou em programa da emissora "CNN" que Obama precisará de "todos os que votaram em Hillary" nas primárias caso queira vencer.

Segundo ela, "ninguém se interessa mais por uma vitória democrata do que Hillary Clinton" e, por isto, ela participará ativamente do resto da campanha.

Feistein citou a experiência de Hillary, que "pressionou por uma mudança e não olha para trás", ao explicar as razões pelas quais Obama necessita vencer o pleito do final do ano.

A senadora pela Califórnia disse o mesmo à emissora "ABC".

Ninguém tem tanta influência no partido como Hillary, disse Feinstein, que figura entre vários líderes democratas que preferem a ex-primeira-dama como companheira de chapa de Obama, embora reconheça que a decisão para formar a "equipe dos sonhos" seja apenas do senador por Illinois.

A congressista californiana cedeu sua casa para uma reunião secreta de uma hora entre Hillary e Obama na última quinta.

Analistas acreditam que os dois conversaram sobre o futuro político da ex-primeira-dama.

Hillary disse na última sexta, através de seus assessores, que não se interessa pelo lugar de "número dois", mas convenceu poucos grupos políticos.

Na verdade, o diretor de comunicação da campanha de Hillary, Howard Wolfson, afirmou a um programa da emissora "CBS" que a ex-primeira-dama fará o que puder ou lhe pedirem para que os democratas cheguem à Presidência.

Obama, de 46 anos, formou um comitê de três especialistas, entre eles a filha do presidente assassinado John Kennedy, Caroline Kennedy, para lhe ajudar na escolha de seu vice, que, segundo observadores, pode não ser Hillary Clinton.

Depois de tudo, Obama se projetou como um agente de "mudança", e Hillary sempre criticava a inexperiência dele principalmente na área internacional.

Barack Obama não havia chegado ao Senado quando Hillary votou a favor da Guerra do Iraque, mas sempre se opôs desde o início à invasão americana àquele país.

Em todo caso, há ainda outras possibilidades além de Hillary para ser vice na chapa democrata. Curiosamente, tirando o governador da Virgínia, Tim Kaine, de 50 anos, todos os nomes da lista de figuras políticas são sexagenários. EFE mp/rb/fal

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