Hillary reitera proposta de diálogo nuclear com Coreia do Norte

Por Sue Pleming NAIRÓBI (Reuters) - A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira que a libertação de duas jornalistas dos EUA presas na Coreia do Norte não tem relação com as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, e reiterou seu apelo pela volta ao processo multilateral de desarmamento do país comunista.

Reuters |

Em entrevista coletiva durante visita ao Quênia, ela negou que seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, tenha feito um pedido de desculpas durante sua visita desta semana a Pyongyang, quando ele negociou e conseguiu a libertação de duas jornalistas presas desde março sob a acusação de entrarem ilegalmente na Coreia do Norte.

"Isso não é verdade, isso não ocorreu", disse Hillary.

A jornalistas trabalham para o canal Current TV, que tem entre seus fundadores Al Gore, que foi vice de Clinton na Casa Branca. Elas haviam sido condenadas a 12 anos de trabalhos forçados, mas receberam um "perdão especial" do ditador Kim Jong-il, satisfeito com a atenção que conseguiu atrair de Washington e com a visita de um norte-americano ilustre.

Hillary disse que a situação das jornalistas sempre foi vista pelos EUA como "uma questão totalmente separada dos nossos esforços para nos reenvolvermos com os norte-coreanos, tê-los de volta às negociações a seis partes e trabalharmos por um compromisso em prol da desnuclearização total e verificável da península coreana."

Analistas acham difícil que os EUA convençam a Coreia do Norte a retomar as negociações, mas sem passar a impressão de que Washington estaria recompensando o mau comportamento do regime comunista, que neste ano testou mísseis e bombas atômicas.

"O futuro das nossas relações com os norte-coreanos realmente cabe a eles. Eles têm uma escolha", afirmou Hillary. "Sempre dissemos que havia uma chance de discutir questões bilaterais com os norte-coreanos dentro de um contexto regional. Essa ainda é a oferta hoje, então cabe a eles."

Hillary antes havia dito a jornalistas que estava "muito feliz e aliviada" com a volta das duas jornalistas aos EUA, em companhia do ex-presidente.

"Falei com meu marido no avião e tudo correu bem. Estamos extremamente animados", disse ela. "É mesmo um bom dia para poder ver isso acontecer."

Em entrevista à NBC, Hillary deu mais detalhes sobre o seu rápido telefonema para o marido. "Ele estava aliviado e feliz de que tenha dado certo. Disse que foi muito emocionante, que o tocou pessoalmente", disse ela, lembrando que Chelsea, a filha do casal, tem idade semelhante à das jornalistas - de 32 e 35 anos.

Sobre a possibilidade de que a visita de Clinton venha a alterar o comportamento da Coreia do Norte, ela foi vaga. "Não é algo com o que estejamos contando. Espero que eles percebam que somos sinceros na nossa oferta de ter uma relação diferente com eles, caso eles estejam dispostos a avançar para a desnuclearização plena e verificável, e acho que o mundo inteiro iria saudar essa mudança da parte deles."

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