Hillary promove retomada do diálogo Índia-Paquistão

Nova Délhi, 20 jul (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, defendeu hoje a necessidade de um diálogo entre a Índia e o Paquistão, cujos Governos deram recentemente passos para retomar as conversas, após a suspensão ocorrida depois dos atentados em Mumbai.

EFE |

Em seu segundo dia de visita em Nova Délhi, Hillary recebeu do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, detalhes da reunião que manteve na semana passada com o chefe do Governo paquistanês, Yousuf Raza Gillani, durante a cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal), no Egito.

Esse encontro abriu o caminho para a retomada do "diálogo integral" que os dois Estados começaram em 2004, o que foi recebido com indignação pela oposição indiana, liderada pela legenda Bharatiya Janata Party (BJP).

Depois de se reunir com Singh, com quem almoçou em sua residência, Hillary também se reuniu com o líder do BJP, L.K.

Advani, que lhe expressou seu otimismo pelo futuro das relações entre Índia e EUA, e sua preocupação com o terrorismo com origem no Paquistão, segundo uma fonte do partido, citada pela agência "Ians".

Advani reclamou que a declaração conjunta assinada por Singh e Gillani no Egito representa uma ruptura do "consenso nacional" entre os partidos indianos alcançado após o ataque a Mumbai em novembro de 2008, informou a agência "PTI".

A fonte do BJP admitiu que Hillary lembrou a Advani a contribuição de seu marido e ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que, durante uma visita à Índia em 2000, quando o partido de Advani estava no poder, "abriu as portas para a transformação das relações" com o Paquistão.

Desde que começou sua visita à Índia, no sábado passado, em Mumbai, Hillary defendeu o diálogo entre as duas potências nucleares asiáticas, e hoje voltou a fazer isso em discurso perante estudantes da Universidade de Délhi.

A secretária americana lembrou aos estudantes que, inclusive durante a "Guerra Fria", seu país e a União Soviética mantiveram canais de diálogo abertos.

"Nossos líderes nunca deixaram de falar, iam a cúpulas. Nossos diplomatas buscaram formas de evitar uma guerra nuclear", lembrou a secretária de Estado, para declarar que acredita firmemente no diálogo.

"Isso não quer dizer que tenham que abandonar seus princípios, seus valores, sua segurança, mas, falando, talvez seja possível fazer algum progresso", sugeriu.

Hillary reiterou o "compromisso" mostrado nos últimos meses pelo Paquistão em sua luta contra o terrorismo, como exigia a Índia, que acusou pelo atentado de Mumbai o grupo caxemiriano com base em solo paquistanês Lashkar-e-Toiba.

A agenda da secretária americana inclui uma reunião ainda hoje com a presidente do governante Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e depois terá um encontro com o ministro das Relações Exteriorex indiano, S.M. Krishna, e a assinatura de acordos bilaterais. EFE ja/an

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