Hillary promete recompensar Mianmar por reformas democráticas

Secretária de Estado diz que EUA atuarão para melhorar relações diplomáticas se país continuar no 'caminho certo'

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira que os EUA recompensarão Mianmar se o país continuar "no caminho certo", promovendo reformas pró-democracia. Hillary, que faz visita ao país, prometeu que os EUA apoiarão a concessão de ajuda econômica e estudarão a hipótese de enviar um embaixador no país após duas décadas.

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Secretária de Estado Hillary Clinton e a líder da oposição birmanesa Aung San Suu Kyi conversam durante jantar em Yangun, Mianmar

Hillary disse ter mantido uma conversa "franca e produtiva" com o presidente Thein Sein e com ministros birmaneses, aos quais anunciou a intenção de apoiar novas reformas e eventualmente suspender sanções.

Nesta quinta-feira, Hillary também viajou para Yangun, maior cidade de Mianmar, onde teve o primeiro de dois encontros com a dirigente oposicionista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

De acordo com a CNN, a secretária de Estado entregou para a líder da oposição birmanesa uma carta escrita pelo presidente americano Barack Obama. Na carta, Obama agradecia Suu Kyi "pela inspiração que você dá para todos ao redor do mundo que compartilham os valores da democracia, direitos humanos e justiça. Nós estaremos com você agora e sempre".

Entidades de direitos humanos e alguns parlamentares dos EUA temem que o governo Obama esteja se apressando em dar seu aval à nova liderança birmanesa, mas Hillary deixou claro que ainda espera ver mais progressos.

Depois da brutal repressão militar a protestos em 1988, e da anulação de eleições vencidas pelo partido de Suu Kyi, em 1990, os EUA rebaixaram o status da sua representação diplomática em Mianmar, que passou a ser comandada por um encarregado de negócios, e não mais por um embaixador.

A restauração do status anterior, disse a secretária, "pode se tornar um canal importante para expressarmos preocupações, para monitorar e apoiar o progresso, para construir confiança. Esses são passos iniciais, e estamos preparados para ir mais longe se as reformas mantiverem o seu ímpeto".

Ela acrescentou que os EUA poderão eliminar sanções em vigor caso haja reformas mais concretas. "(A abertura política) não tem de ser teórica ou retórica, tem de ser muito real, no terreno, isso pode ser avaliado."

AP
Hillary Clinton joga água em estátua budista em templo de Yangon, Mianmar

Ela disse ainda que os EUA apoiarão as novas missões de avaliação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, destinadas a impulsionar a frágil economia birmanesa. Ela citou também programas de cooperação da ONU para a promoção da saúde e combate aos entorpecentes.

Mas Hillary negou que a reaproximação seja uma forma de se contrapor à influência da China no país, e disse que Washington sempre consultará Pequim a respeito da sua presença na Ásia. "Não estamos aqui para nos opor a nenhum país. Estamos aqui para apoiar este país."

Mianmar passou décadas sob um regime militar que isolou o país, mas recentemente os generais libertaram parte dos presos políticos e fizeram a transição para um governo nominalmente civil.

A secretária usou a visita também para pedir a libertação dos demais presos políticos e pressionar o governo local a romper seus contatos com a Coreia do Norte.

Com Reuters

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