Hillary privilegia economia e meio ambiente em encontro com líderes chineses

PEQUIM - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que se reuniu neste sábado com as maiores autoridades da China, deixou de lado as violações dos direitos humanos e destacou os desafios comuns que o país tem com os Estados Unidos, como a crise financeira e o aquecimento global.

Redação com EFE |

Reuters
Hillary e o presidente chinês Hu Jintao
Hillary cumprimenta o presidente chinês Hu Jintao

No encontro com o presidente chinês, Hu Jintao, Hillary proclamou o início de "uma nova era" nas relações bilaterais com a China e Hu destacou a importância de a Ásia ter sido o primeiro destino da secretária desde que assumiu o cargo, informou a agência de notícias estatal "Xinhua".

Conhecida na China como "secretária Hillary", Clinton também se reuniu com o premiê Wen Jiabao, com quem falou sobre a crise atual.

"É preciso cavar um poço antes que a sede chegue", disse Hillary ao seu interlocutor.

"Num momento no qual o mundo enfrenta o nefasto impacto da crise financeira, aprecio bastante o provérbio chinês que a senhora mencionou: 'Todos os países devem atravessar o rio pacificamente quando estão no mesmo barco", respondeu Wen logo em seguida.

A frase é de "A Arte da Guerra", um tratado militar escrito pelo estrategista Sun Tzu no século 5 antes de Cristo.

Em entrevista coletiva conjunta com o ministro de Assuntos Exteriores chinês, Yang Jiechi, a chefe da diplomacia americana agradeceu à China pela compra de bônus do Tesouro americano, imprescindível para dar suporte ao pacote econômico da Casa Branca.

Além disso, declarou esperar que EUA e China liderem "a recuperação mundial" frente à crise.

Os bônus americanos nas mãos de Pequim totalizavam US$ 696,2 bilhões em dezembro, motivo pelo qual Washington precisa se certificar de que a China não vai se desfazer deles.

Neste sentido, Yang destacou que seu governo precisa de garantias "sobre a segurança das reservas, sua boa valia e sua liquidez", que se ficaria comprometida se os EUA emitissem mais bônus para minimizar os efeitos da crise.

Analistas locais dizem que Pequim quer ter certeza de que Washington evitará a aplicação de medidas protecionistas contra as exportações chinesas, um dos pilares de seu crescimento.

O diálogo estratégico econômico que ambos os governos mantêm a cada dois anos se verá ampliado com a presença de diplomatas ligados à questões de segurança. Detalhes dessa ampliação serão estipulados em abril, no próximo encontro de Hu com o presidente Barack Obama, em Londres, anunciou Hillary.

Quanto à mudança climática, a secretária anunciou que ambos os países criarão "uma grande associação" para energias limpas e para acelerar a transição a uma economia com baixas emissões em carbono.

Os dois gigantes econômicos são os principais emissores de dióxido de carbono e os maiores consumidores de energia do planeta.

Hillary pediu à China que não cometa os mesmos erros dos EUA e da Europa em sua industrialização poluente: "Não soubemos fazê-lo melhor", disse. Yang anunciou que ambos os governos se comprometeram em defender o êxito da conferência de Copenhague, em dezembro deste ano.

Nesta manhã, a secretária de Estado visitou em Pequim uma central de gás com investimento americano, parceria que classificou como um bom exemplo da colaboração que os dois países podem desenvolver em matéria de energia limpa.

A respeito da segurança, o governo chinês, em troca de os EUA respeitarem a "política de uma só China", aceitou retomar a troca militar suspensa em outubro em protesto contra o anúncio de Washington sobre venda de armas a Taiwan, ilha que Pequim considera parte de seu território.

Com Yang, que aceitou o convite de Hillary de visitar os EUA em março, a secretária de Estado também falou sobre as disputas nucleares com a Coreia do Norte e o Irã, países apoiados pelo regime chinês, e de conflitos como os do Afeganistão e do Paquistão.

Quanto à questão dos direitos humanos, a secretária americana se mostrou pragmática e decidiu deixá-la de lado, atitude que gerou críticas de ONGs.

A Chinese Human Rights Defenders (CHRD) chegou a emitir um comunicado no qual informa que pelo menos dez dissidentes chineses contrários ao regime estão em prisão domiciliar para evitar um possível encontro com Hillary.

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