WASHINGTON - Os Estados Unidos querem que Israel pare de ampliar seus assentamentos em territórios ocupados sem exceção, disse na quarta-feira a secretária de Estado, Hillary Clinton, prometendo que Washington pressionará seu aliado nesse sentido.


Governos árabes há anos afirmam que a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia prejudica a negociação de um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que promete priorizar esse processo de paz, disse numa reunião no dia 18 com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que "os assentamentos devem ser paralisados a fim de que avancemos".

"O presidente foi muito claro quando o primeiro-ministro Netanyahu esteve aqui. Ele quer ver uma paralisação dos assentamentos - não de alguns assentamentos, não de postos avançados, não com exceções para o crescimento natural", disse Hillary numa entrevista coletiva ao lado do chanceler egípcio.

"Achamos que é dos melhores interesses para o esforço em que estamos envolvidos que cesse a expansão dos assentamentos. Essa é a nossa posição, isso é o que comunicamos muito claramente não só aos israelenses, mas aos palestinos e a outros, e pretendemos pressionar por esse ponto", disse.

"Crescimento natural" é o termo usado por israelenses para descrever a construção dentro dos assentamentos existentes, para atender às necessidades das famílias dos colonos. Os postos avançados são assentamentos menores, muitas vezes apenas um grupo de trailers habitados por poucas dezenas de pessoas, que se instalam sem autorização do governo israelense.

Netanyahu tem dito que a expansão resultante do crescimento natural irá continuar. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, que janta com Hillary na quarta-feira e será recebido por Obama na quinta-feira, descarta a retomada das negociações de paz enquanto Israel não suspender toda a atividade de ampliação dos assentamentos.

Os palestinos dizem que as colônias judaicas, consideradas ilegais pela Corte Mundial, podem acabar lhes negando a chance de um Estado viável e contínuo.

Cerca de 500 mil judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos desde que Israel conquistou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, um território onde vivem quase 3 milhões de palestinos.

Um plano de paz norte-americano de 2003 prevê que Israel deve parar de ampliar os assentamentos, inclusive no que tange ao crescimento natural. O plano também obriga a Autoridade Palestina a reprimir militantes que promovem ataques a Israel.

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