Hillary pressiona Kinshasa a acabar com as violências sexuais contra mulheres

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ardente defensora dos direitos da mulher, pediu nesta terça-feira em Goma, leste da República Democrática do Congo (RDC), que o presidente Joseph Kabila detenha e condene os militares responsáveis por violências sexuais.

AFP |

A chanceler chegou na véspera na capital Kinshasa, quarta etapa de seu giro por sete países da África, e foi nesta terça-feira para Goma, no leste do país, onde prometeu ajuda americana.

Esta região está desestabilizada por rebeldes hutus ruandeses das Forças democráticas de libertação do Ruanda (FDLR) e ugandeses do Exército de resistência do senhor (LRA).

Os rebeldes e também soldados do exército regular (FARDC) cometem regularmente violências contra os civis, em particular contra as mulheres, vítimas de estupro, utilizada como arma de guerra.

Segundo a ONU, ao menos 200.000 mulheres foram estupradas desde 1996 no leste da RDC, destruída por cinco anos de guerra regional (1998-2003) e de guerra civil (2004-2009).

A secretária de Estado indicou ter tido uma discussão muito franca com o presidente Kabila sobre as violências sexuais. Ela também pediu que o governo detenha os oficiais FARDC responsáveis por este tipo de abuso.

"Acreditamos que não deve haver impunidade para os crimes sexuais, que deve haver detenções, perseguições e condenações", declarou Hillary Clinton.

A conversa com o chefe de Estado aconteceu numa tenda em torno da residência do governador da província do Norte-Kivu (Goma).

Hillary também anunciou um financiamento de 17 milhões de dólares para ajudar a combater as violências sexuais. Este dinheiro será redistribuído às ONG locais, servirá para a formação de mulheres policiais, e à ajuda médica e psicológica para cerca de 10.000 vítimas.

Especialistas americanos na África vão também aconselhar sobre como reduzir o número de estupros. "Diante de uma crueldade como esta, as pessoas de boa vontade devem reagir", afirmou a chefe da diplomacia americana.

Em visita a um campo perto de Goma, onde estão reunidos quase 20.000 desabrigados, ela trocou algumas palavras com uma jovem mãe de seis crianças. "Eu encontrei o presidente Kabila. Eu disse a ele que queremos acabar com as violências para que vocês possam voltar para casa", disse Hillary Clinton a ela.

"Os Estados Unidos estão prontos a ajudar para profissionalizar o exército congolês", acrescentou.

A secretária de Estado embarcou no fim da tarde rumo a Kinshasa, onde ficará até o início da noite. Em seguida, vai para a Nigéria, quinta etapa de seu périplo africano.

Este é o primeiro giro de Hillary Clinton à África desde que assumiu suas funções, em janeiro, após a visita em julho a Gana do presidente americano, Barack Obama. Ele pediu à secretária de Estado que lute no combate às práticas antidemocráticas, a corrupção, os conflitos e as doenças.

Esta viagem, que inclui sete países, já levou Hillary Clinton ao Quênia, África do Sul, Angola e RDC. Depois do Nigéria, a chefe da diplomacia americana deve ainda ir para a Libéria e Cabo Verde.

sct-epe/lm

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