Hillary pressiona Israel por Estado palestino

JERUSALÉM - Os Estados Unidos continuarão trabalhando para que o conflito entre palestinos e israelenses seja resolvido a partir da solução de dois Estados, disse Hillary Clinton. Após se encontrar com diversas autoridades israelenses nesta terça-feira, a secretária de Estado americana se reuniu com Netanyahu, que designará o novo governo de Israel.

Redação com agências internacionais |


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Hillary passou o dia se reunindo com autoridades em Jerusalém e se encontrará nesta quarta-feira com as lideranças palestinas em Ramala. Ela frisou que a solução de dois Estados está tão viva como há dois meses, quando George W. Bush ainda estava na Casa Branca.

"Nossa premissa é chegar à inevitável solução de dois Estados", declarou Hillary numa entrevista coletiva na sede do Ministério de Assuntos Exteriores, concedida após o encontro com sua colega israelense, Tzipi Livni, segundo quem esta  solução é "a única forma de preservar um Estado judeu e democrático".

A chefe da diplomacia americana disse que o governo de Barack Obama considera a alternativa de dois Estados "parte de uma solução global para garantir a paz entre israelenses e palestinos, e também com os vizinhos árabes".

"O presidente Obama e eu achamos que o laço que une os EUA com Israel e o compromisso com a segurança israelense e sua democracia permanecerão como algo fundamental, inquebrantável e durável", disse.

A secretária de Estado deu início a seus compromissos com uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres, seu conhecido desde as negociações de paz de Oslo, promovidas por seu marido, o ex-presidente americano Bill Clinton, entre 1993 e 2001.

Hillary ratificou a Peres "o compromisso de Obama" com a solução de dois Estados. Mas, ao mesmo tempo, expressou seu apoio ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), o moderado Mahmoud Abbas, e ao primeiro-ministro Salam Fayyad, com os quais se reunirá nesta quarta.

AP
Hillary se reúne com Livni, do Kadima
A secretária de Estado americana também demonstrou seu apoio a Livni ao dividir a região entre "moderados e radicais" e ao incentivá-la a condenar os ataques com foguetes lançados pelo Hamas contra território israelense.

"Nenhuma nação pode tolerar estes ataques contra sua população e seu território", declarou Hillary, que na segunda-feira participou da conferência de doadores para a reconstrução de Gaza, no Egito.

A ex-primeira-dama também propôs um cessar-fogo na faixa territorial palestina como primeiro passo até a formação do novo governo de Israel, que, tudo indica, será comandado pelo conservador Benjamin Netanyahu.

Assunto delicado

Na reunião que teve esta tarde com o líder do Partido Likud, de mais de uma hora de duração e realizada num hotel de Jerusalém, a secretária de Estado americana não falou de Estado palestino nem de visões de paz, afirmou Netanyahu.

No entanto, em declarações ao site do jornal "Yedioth Ahronoth", fontes da delegação americana disseram que "o tema está presente e será tratado no momento adequado".

"Por enquanto, sem haver ainda governo em Israel, não há necessidade de colocá-lo sobre a mesa", acrescentaram as fontes.

A criação de um Estado palestino ao lado do de Israel é, em princípio, o tema mais delicado nas relações da Casa Branca com Netanyahu, que se recusa a discutir o assunto.

Reuters

Hillary Clinton e Netanyahu antes de reunião em Jerusalém


Entre as partes também não parece haver muita fluência nas conversas sobre o programa nuclear iraniano, que Obama quer tentar solucinar mediante uma nova iniciativa diplomática.

No entanto, para o encarregado de formar o novo governo israelense, a questão nuclear iraniana será resolvida no fim de 2009 ou no começo de 2010.

"Temos que pensar com criatividade para criar uma realidade diferente, em termos políticos e de segurança, e isto é um objetivo dos dois (países)", afirmou Netanyahu ao sair do encontro com Hillary, a quem pediu que imponha "um limite de tempo" às iniciativas de diálogo com Teerã.

Governo interino

O último encontro de Hillary nesta terça-feira é com o primeiro-ministro interino, Ehud Olmert. Antes da reunião, o líder declarou que também levantaria as preocupações de Israel quanto ao programa de proliferação nuclear do Irã.

"Eu peço que o presidente Obama e a secretária de Estado façam objeção absoluta quanto ao programa nuclear do Irã", disse. "Discutiremos quais as maneiras por meio das quais poderemos garantir isso", acrescentou Olmert.

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