Hillary prepara-se para apoiar Obama em Convenção Nacional Democrata

Paco G. Paz.

EFE |

Denver (EUA.), 26 ago (EFE). Hillary Clinton, que durante meses criticou com dureza a inexperiência de Barack Obama, está preparada para defender hoje as qualidades do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, em um gesto que pode representar um passo sem retorno em direção ao segundo escalão de seu partido.

A Convenção Nacional do Partido Democrata, realizada em Denver, está se revelando bem diferente de como tinha imaginado a senadora de Nova York, que lutou com ferocidade nas primárias, com a confiança de que seria seu nome - e não o de Obama - o que seria proclamado na quinta-feira.

Mas as coisas não se passaram como ela esperava, e a ex-primeira-dama terá que tomar hoje a palavra para louvar as qualidades presidenciais de um candidato que ela acusou, durante as primárias, de "não estar preparado para Governar desde o primeiro dia".

Pelo menos, o discurso de Hillary é considerado o mais relevante do dia, algo importante para uma mulher que resistiu a assumir a derrota e dar liberdade a seus seguidores para votar em Obama.

O ex-presidente Bill Clinton, falará na convenção amanhã, embora não tenham lhe atribuído um horário de destaque, por causa das tensões que existem com a campanha de Obama, depois dos enfrentamentos verbais das primárias.

O papel de coadjuvantes dos Clinton não passou despercebido aos analistas, que vêem como o casal - dois políticos tradicionais na casa dos 60 anos - está deixando para trás seu peso em prol do sangue novo que Barack Obama representa no partido.

Um gesto essencial para formalizar seu passo ao segundo escalão é o esperado discurso de Hillary esta noite, que seus mais fiéis seguidores querem escutar antes de dar seu voto a Obama.

"Hillary nos pede para darmos nosso apoio a Obama e a Joe Biden (candidato à Vice-Presidência), e é com pena que irei fazê-lo, pois assim me pede ela", assegurou à Agência Efe Bethaidey González, uma delegada de Nova York e fiel partidária da senadora por este estado.

A ex-primeira-dama insistiu que seu apoio ao senador de Illinois é incondicional e completo, e lembrou que ela deu mais demonstrações de seu apoio que qualquer outro que tenha estado em sua situação em campanhas anteriores.

"A unidade do partido é muito importante para ela. Eu a ouvi falar duas vezes, e cada vez fala com seu coração da necessidade de apoiar a chapa Obama-Biden", acrescentou a delegada de Nova York.

Amanhã, Hillary deve se reunir com seus seguidores para lhes dar a liberdade de votar em Obama. Antes, sua candidatura será submetida à votação na Convenção, em um gesto de reconhecimento pelos 18 milhões de votos que alcançou nas primárias.

No entanto, esta noite não só as palavras de Hillary serão submetidas a uma intensa apuração, mas também seus gestos e suas ações, uma vez que muitos analistas criticaram a senadora por não ter mostrado todo o entusiasmo que devia.

Hoje, ela deve abraçar a mensagem de mudança de Obama e das possibilidades de melhora com o senador de Illinois na Casa Branca.

No entanto, não esquecerá suas grandes prioridades políticas, como é a extensão da cobertura sanitária universal, a melhora da educação nas escolas e a proteção da mulher, com a certeza de que estes objetivos são também os de Obama.

Outras mulheres tomarão hoje a palavra, em uma jornada histórica devido à celebração do 88º aniversário do sufrágio feminino nos EUA, entre elas as governadoras do Arizona, Janet Napolitano, e do Kansas, Kathleen Sebelius.

Esta última esteve entre as cotadas para ser candidata à Vice-Presidência de Obama.

Além disso, hoje está previsto que suba ao palanque Mark Warner, ex-governador da Virgínia e candidato ao Senado, a quem foi atribuído o papel de principal orador da convenção.

Esse papel costuma ser concedido a alguma figura promissora dentro do partido e representa um grande passo na corrida política do escolhido.

Em 2004, foi o então aspirante a senador por Illinois, Barack Obama, quem falou na convenção realizada em Boston, onde pronunciou o discurso em que fez um convite para que se fechassem as feridas raciais ainda abertas nos EUA. EFE pgp/ab/gs

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