Hillary pediu ajuda do Brasil na questão do Irã, diz Azeredo

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira a deputados e senadores brasileiros que espera que o Brasil colabore no esforço internacional para mudança de rumo do Irã.

iG São Paulo |

Segundo relato do presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Hillary insistiu que Teerã descumpriu todas as resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que diante disso o mundo deve se unir.

Hillary deixou implícito, de acordo com Azeredo, que essa união deve se dar em torno da proposta de novas sanções contra o Irã a serem dotadas pelo Conselho de Segurança da ONU. A secretária de Estado insistiu que o Brasil tem um importante papel nessa questão.

Os Estados Unidos, assim como Rússia, China, Inglaterra, França e Alemanha querem aplicar sanções internacionais ao Irã por cogitar que o enriquecimento do urânio a 20% tenha o objetivo de fabricar armas nucleares. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nega as suspeitas.

Visita ao Congresso

No primeiro compromisso o dia, Hillary se reuniu por 40 minutos com os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e mais 15 parlamentares, entre deputados e senadores.

Esperada por um grande número de jornalistas, Hillary não respondeu a perguntas da imprensa, anunciando apenas que dará uma entrevista coletiva nesta tarde, no Palácio do Itamaraty.


Hillary é recebida por Sarney e Temer no Senado / Ag. Senado

Honduras e Haiti

De acordo com uma fonte presente ao encontro, Hillary fez uma crítica velada à decisão do Brasil de dar refúgio ao então presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em setembro de 2009, na embaixada brasileira.

Para ela, essa não foi uma decisão acertada. Segundo Rands, a secretária fez um apelo em favor do reconhecimento do novo governo hondurenho e informou que espera que o Brasil colabore na reinserção internacional do país.

Em relação à reconstrução da infraestrutura no Haiti, Hillary propôs que o Brasil e os Estados Unidos façam um esforço conjunto.

Um dos acordos que ela deve assinar com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, será justamente o de cooperação na ilha caribenha, devastada por um terremoto ocorrido no dia 12 de janeiro, que deixou mais de 200 mil mortos, segundo estimativa do governo haitiano.

Acoordos de cooperação

Ainda nesta manhã, Hillary tem reunião e almoço com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Na pauta, estão temas como mudança do clima, promoção da igualdade racial, negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC), cooperação trilateral com o Haiti e com países africanos e reforma da Organização das Nações Unidas (ONU).

Eles assinarão memorandos de entendimento sobre questões de gênero e mudanças climáticas entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a United States Agency for International Development (Usaid).

Encontro com Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe Hillary na tarde desta quarta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - sede provisória da Presidência da República, em Brasília. Na pauta está o programa nuclear no Irã.

Além disso, os dois devem discutir o processo de compra de caças brasileiros para a Força Aérea Brasileira (FAB). A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República, também participará do encontro.

Na segunda-feira, durante passagem pela Argentina, Hillary afirmou que quer se assegurar de que o Lula "compreende a preocupação mundial com o Irã".

"Foi constatado que o Irã está violando as determinações da Agência Internacional de Energia Atômica e do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas)", disse. "Esse será um tema abordado pelo Conselho de Segurança, então quero me assegurar de que (o presidente Lula) tem a mesma compreensão que nós temos sobre como esse assunto vai se desenrolar."

Caças

Durante o encontro, a secretária americana também tentará reverter a "falta de confiança" que o Brasil tem em relação aos americanos e que deixou o país em posição desfavorável na disputa pela compra dos caças que equiparão a FAB pelos próximos 30 anos.

Porém, o governo brasileiro já manifestou por diversas vezes a sua preferência pela parceria estratégica com a França. E o ministro da Defesa Nelson Jobim fez, em várias entrevistas, críticas diretas à proposta americana, dizendo que os "precedentes" dos EUA de transferência de tecnologia "não são bons".

Na decisão do Planalto, que está sendo aguardada para o final deste mês, o F-18 Super Hornet americano está disputando com o Rafale francês e o Gripen sueco.


Hillary foi recebida pelo embaixador Thomas Shannon na noite de terça em Brasília

Giro pela América Latina

Depois de passar pelo Brasil nesta quarta-feira, Hillary irá à Costa Rica, onde se reunirá com o presidente Oscar Arias e com a presidente eleita Laura Chinchilla. Na Guatemala, a secretária de Estado dos EUA conversará com o presidente Álvaro Colom.

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* Com Agência Estado, Agência Brasil e Agência Senado

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