Hillary pede reação "cuidadosa" a ataque de Israel

Secretária diz que situação é "muito difícil" e expressa solidariedade dos Estados Unidos às vítimas

iG São Paulo |

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Hillary Clinton concede entrevista coletiva nesta terça-feira
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu nesta terça-feira que todos os lados sejam "cuidadosos" em suas respostas ao ataque de Israel a um comboio com ajuda humanitária a Gaza.

"Acho que a situação é muito difícil e requer uma resposta cuidadosa", disse Hillary, que também expressou a solidariedade dos Estados Unidos aos mortos e feridos no ataque de segunda-feira.

Na madrugada desta terça-feira (horário de Brasília), depois de deliberar até tarde da noite, o Conselho de Segurança da ONU emitiu uma declaração condenando o que chamou de atos que resultaram na perda de pelo menos nove vidas. O Conselho de Segurança pediu que o ataque seja investigado imediatamente, "de maneira imparcial, crível e transparente".

Segundo a BBC, a linguagem da declaração é menos contundente do que a do rascunho original, que condenava as forças israelenses diretamente e pedia uma investigação internacional. A declaração foi resultado de um compromisso entre os Estados Unidos e a Turquia depois de várias horas de intensas negociações, disse Plett.

A Turquia, que é membro não-permanente do Conselho de Segurança, vinha chamando a ação israelense de ato de agressão. Os Estados Unidos, aliados próximos de Israel, pressionaram para que a linguagem do documento final fosse bem mais branda.

Pelo menos nove ativistas pró-palestinos, entre eles vários turcos, foram mortos quando soldados israelenses atacaram os navios em águas internacionais, na manhã de segunda-feira, hora local. Cerca de 700 ativistas viajavam nos seis navios.

Antes da reunião, o ministro do Exterior turco, Ahmet Davutoglu, disse que se tratava de "assassinato conduzido por um Estado" "Em termos simples, isso se assemelha a bandidagem e pirataria", afirmou Davutoglu antes da reunião.

O governo de Israel disse que as tropas israelenses agiram em defesa própria, depois de serem atacadas, acusações negadas pelos ativistas. "Esta frota era qualquer coisa, menos uma missão humanitária", disse o vice-embaixador de Israel na ONU Daniel Carmon.

Segundo ele, os ativistas usaram "facas, barras de metal e outras armas" para atacar os soldados que abordaram o barco que liderava a missão, o Mavi Marmara. Os ativistas insistem que os soldados abriram fogo sem qualquer provocação.

Protestos

Em várias cidades do mundo, houve protestos contra a ação israelense e diversos governos - inclusive o do Brasil - convocaram seus embaixadores israelenses pedindo explicações e expressando indignação.

Além de turcos, havia, nos barcos, americanos, australianos, britânicos, gregos, canadenses, belgas, irlandeses, dois parlamentares alemães e a cineasta brasileira Iara Lee.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condenou o que chamou de "massacre" israelense e declarou três dias de luto na Cisjordânia. A Liga Árabe convocou uma reunião de emergência para esta terça-feira e a Jordânia e o Egito - os dois países árabes que mantêm acordos de paz com Israel - condenaram duramente a violência.

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse à BBC que Israel não quer prejudicar civis inocentes, mas que tem que combater o grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Israel impôs o bloqueio à Gaza em 2007, depois que o Hamas assumiu o poder na região.

Reação israelense

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, cancelou um encontro com o presidente americano Barack Obama e encurtou uma viagem à América do Norte, retornando a Israel nesta terça-feira.

O premiê afirmou que lamenta a perda de vidas, mas defendeu a ação das tropas israelenses, afirmando que elas foram provocadas pelos ativistas, que buscavam confronto. A morte dos ativistas, no entanto, foi descrita como uma operação mal-sucedida pela imprensa israelense.

Israel havia advertido a frota de navios carregando ajuda humanitária de que ela não seria autorizada a aportar Gaza. As informações são de que os soldados abordaram os navios cerca de 64 km dentro do mar.

Em Tel Aviv, o comandante da Marinha Israelense disse que suas tropas abordaram cinco dos navios sem problemas, e que a violência ocorreu apenas no Mavi Marmara. Israel afirma que 10 de seus soldados ficaram feridos no incidente, um deles gravemente.

Segundo Israel, cerca de 15 mil toneladas de ajuda humanitária chegam a Gaza toda a semana, mas segundo a ONU, isso é menos de um quarto da ajuda necessária.

Com Reuters e BBC

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