Hillary pede que Coreia do Norte deixe provocações e dialogue

Cecilia Heesook Paek. Seul, 20 fev (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu hoje, em visita a Seul, que a Coreia do Norte deixe as provocações e todas as atividades relacionadas a mísseis balísticos para alcançar uma relação diferente com os Estados Unidos.

EFE |

A chefe da diplomacia americana foi contundente em sua mensagem à Coreia do Norte, que na quinta-feira advertiu a Seul que está pronta para um possível choque militar "a qualquer momento".

Em entrevista coletiva conjunta com o ministro de Exteriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, Hillary insistiu em que Pyongyang deve se desnuclearizar de forma "completa e verificável", dentro do diálogo multilateral entre EUA, China, Japão, Rússia e as duas Coreias.

Durante um encontro com estudantes universitárias e várias personalidades femininas na Universidade de Mulheres de Ehwa, Hillary também reiterou a disposição de Washington de normalizar as relações com a Coreia do Norte se este país abandonar seu programa nuclear.

"Se a Coreia do Norte estiver preparada para finalizar seu programa nuclear de forma completa e verificável, a Administração (do presidente americano, Barack) Obama está disposta a normalizar as relações bilaterais e oferecer ajudas energéticas e outras necessidades", disse Hillary.

A chefe da diplomacia americana ofereceu seu apoio à Coreia do Sul na questão nuclear norte-coreana, ao comparar o regime de Seul democrático com "a tirania e a pobreza" que reinam no país vizinho do norte.

"Pedimos ao Governo da Coreia do Norte que abandonem as provocações verbais e deixem de ser de pouca ajuda, porque não é frutífero", disse Hillary, adventindo a Pyongyang que, se continuar com as provocações e se negando a dialogar com a Coreia do Sul, não avançará em sua relação com os EUA.

A imprensa sul-coreana avaliou positivamente a visita da ex-primeira-dama americana à Coreia do Sul, em sua primeira viagem oficial desde que assumiu o cargo, em janeiro, e considerou a viagem um sinal de que a Administração de Obama está disposta a "ouvir" Seul.

No entanto, durante esta viagem, foram evitadas referências expressas a questões mais complexas em nível bilateral, como o início de um tratado de livre-comércio entre Coreia do Sul e EUA, à espera de ratificação desde abril de 2007.

Hillary também se reuniu com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, que lhe pediu mais colaboração de seu Governo para conseguir a desnuclearização da Coreia do Norte e lutar contra a crise econômica global.

A viagem da secretária de Estado americana aconteceu em um momento de especial tensão na península, desde que Pyongyang anunciou, em janeiro, sua decisão unilateral de anular todos os acordos de não confronto com a Coreia do Sul, em protesto contra a política do Governo conservador de Seul.

A visita aconteceu também no momento em que surgem especulações sobre os preparativos de Pyongyang para o possível lançamento de um míssil balístico de longo alcance, com capacidade de chegar ao território americano.

Em Seul, Hillary anunciou também a nomeação de Stephen Bosworth, ex-embaixador americano em Seul, como enviado dos EUA para a Coreia do Norte, que coordenará seu trabalho com o representante de Washington no diálogo multilateral, Sung Kim.

Junto com a visita de Hillary, o líder norte-coreano, Kim Jong-il, nomeou O Kuk-ryol como vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa da Coreia do Norte, informou hoje a agência oficial norte-coreana "KCNA", citada pela "Yonhap".

Este reajuste parece ser destinado a consolidar o poder do líder da Coreia do Norte, depois das especulações sobre a fragilidade de seu estado de saúde desde agosto do ano passado.

O porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, Kim Ho-nyoun, disse hoje que Kim Jong-il tem pleno controle de seu país e sua liderança é estável, apesar de que, segundo informações recentes, o líder norte-coreano poderia ter seu terceiro filho, Kim Jong-un, de 25 anos, para sucedê-lo.

Este comentário aconteceu depois que Hillary falou, em sua chegada a Seul, sobre a incerteza de poder que pode ser gerada pela sucessão na liderança do país comunista, e pediu a Kim a se sentar na mesa de negociações do diálogo.

Apesar da contundência de suas mensagens, Hillary estendeu a mão a Pyongyang, e disse que, se a Coreia do Norte se desnuclearizar, os EUA normalizariam as relações, assinaria um tratado de paz e ofereceria ajuda ao povo norte-coreano.

Hillary deve deixar a capital sul-coreana ainda hoje rumo à China, que será a última etapa de sua viagem pela Ásia, que a levou também ao Japão e à Indonésia. EFE ce/an

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