Hillary pede atenção para aliança entre Coreia do Sul e Mianmar

Miguel F. Rovira.

EFE |

Phuket (Tailândia), 21 jul (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou hoje à Tailândia para assistir ao fórum asiático de segurança e advertiu que a crescente cooperação militar entre os regimes norte-coreano e de Mianmar (antiga Birmânia) pode ser uma ameaça para a região.

A cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na ilha de Phuket, será centrada na ameaça nuclear da Coreia do Norte e na repressão em Mianmar. Os dois países estreitaram seus laços militares nos últimos seis anos.

"Sabemos que existe uma crescente preocupação diante da cooperação militar entre Coreia do Norte e Mianmar, que nós encaramos de forma muito séria. Ela pode ser desestabilizadora para a região e representar uma ameaça direta aos vizinhos de Mianmar", disse Clinton em entrevista coletiva.

O encontro ocorre enquanto aumentam as evidências sobre a transferência de tecnologia militar norte-coreana a Mianmar, o que inclui conhecimentos para a fabricação de mísseis.

Atualmente Pyongyang ajuda os militares birmaneses a construir uma extensa rede de túneis blindados e refúgios com fins militares em diversas áreas do país. A informação veio à tona com imagens e documentos que vazaram recentemente à imprensa estrangeira.

As gigantescas obras de engenharia em Mianmar, uma das nações mais pobres da Ásia, alimentaram as suspeitas de que o regime norte-coreano também planeja fornecer tecnologia nuclear aos generais locais.

A relação entre ambos os regimes se tornou pública em julho de 2003, quando 20 veículos chegaram a Pyongyang. Os países normalizaram a comunicação diplomática em abril de 2007, retomando um laço que estava rompido desde 1983.

À época, Mianmar cortou relações com o regime norte-coreano ao acusar grupos militares do país de serem responsáveis pelo atentado a bomba durante a visita oficial do então presidente da Coreia do Sul, Chun Doo-Hwan.

Apesar disso, Clinton disse que os Estados Unidos não descartam adotar uma postura "construtiva" com Mianmar se a Junta Militar do país ceder às principais exigências da comunidade internacional.

"São elas libertar os presos políticos e outros passos que Mianmar sabe que pode dar, como o fim da violência interna, inclusive entre as minorias, e os maus-tratos a Aung San Suu Kyi", apontou a chefe da diplomacia americana.

Cerca de 2.100 ativistas birmaneses estão presos por motivos políticos e neste grupo está Suu Kyi, Nobel da Paz e líder do movimento da oposição. Ela é julgada agora por violar os termos da prisão domiciliar que cumpria desde 2003.

Após chegar a Bangcoc diretamente da Índia, a secretária de Estado se reuniu com o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, com quem conversou sobre temas como a mudança climática e o terrorismo, assim como a situação da segurança na Ásia.

É a primeira visita oficial de Hillary a um país do Sudeste Asiático desde que ela assumiu o cargo, nomeada pelo presidente Barack Obama.

Clinton viajará amanhã à ilha de Phuket e falará sobre a recente crise causada pelo lançamento de mísseis da Coreia do Norte em reuniões bilaterais com seus colegas da Rússia, Serguei Lavrov; Coreia do Sul, Yu Miung-hwan; China, Yang Jiechi; e Japão, Hirofumi Nakasome.

O ministro de Relações Exteriores da Coreia do Norte, Pak Ui-Chun, recusou o convite da Tailândia para participar do fórum e enviou a Phuket uma representação de cinco pessoas, liderada pelo embaixador Pak Kun-gwang.

No entanto, é improvável que o secretário de estado adjunto para o Leste da Ásia e o Pacífico, Kurt Campbell, que acompanha Clinton, se reúna com a delegação oficial norte-coreana enviada à conferência.

A decisão de Pyongyang decepcionou o país anfitrião, que apostava na presença do chanceler para facilitar o retorno do regime norte-coreano às negociações com Estados Unidos, Rússia, China, Japão e Coreia do Sul para convencê-lo a dar fim ao seu programa nuclear em troca de ajuda financeira.

Segundo fontes oficiais da Asean, a vinda de Hillary ao fórum realizado anualmente desde 1994 mostra a mudança da política externa de Washington em relação à Ásia, região de pouco interesse durante a etapa de George W. Bush na Presidência dos Estados Unidos.

Ela assinará amanhã um pacto de cooperação e amizade com a Asean, grupo integrado por Brunei, Camboja, Mianmar, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã. Durante anos, os EUA se mostraram reticentes a assiná-lo. EFE.

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