Hillary mostra otimismo sobre clima mesmo com resistência indiana

Julia R. Arévalo.

EFE |

Nova Délhi, 19 jul (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, mostrou hoje otimismo, após seus primeiros contatos na Índia, sobre a possibilidade de chegar a um acordo na cúpula de mudança climática de Copenhague, apesar da recusa indiana em se comprometer com reduções concretas nas emissões.

Hillary, que chegou à poluída Délhi após passar por Mumbai (ex-Bombaim), admitiu que a tarefa é difícil "porque o desafio é criar um marco global que reconheça as diferentes necessidades e responsabilidades" tanto dos países desenvolvidos como da Índia e outros emergentes.

A secretária disse não só entender, mas compartilhar as preocupações da Índia e assegurou que os EUA "não farão nada que limite" seu progresso econômico e os esforços para erradicar a pobreza, que ronda 27% da população.

"Porém, também achamos que há uma forma de erradicar a pobreza e manter um desenvolvimento sustentado que reduzirá de forma significativa as emissões", comentou.

Após admitir que países como os EUA, principais causadoras da mudança climática, devem "assumir o maior peso na limpeza do meio ambiente", Hillary lembrou que 80% das emissões futuras serão de nações como China e Índia.

A secretária de Estado transmitiu a mensagem em coletiva de imprensa junto ao vice-ministro de Meio ambiente e Florestas indiano, Jairam Ramesh, com quem pouco antes tinha participado de discussões dentro do chamado "Edifício Verde" de Gurgaon, cidade do cinturão industrial de Délhi.

Ramesh também destacou as possibilidades de se alcançar um acordo e os esforços negociadores em andamento, mas foi categórico ao afirmar que a Índia "simplesmente não está em condições de assumir objetivos de redução de emissões que sejam legalmente vinculativos".

O vice-ministro especificou que seu Governo aprovou um Plano Nacional de Ação sobre mudança climática que já inclui "políticas orientadas a reduzir seus efeitos" e lamentou o pouco "crédito" que foi dado ao programa de reflorestamento indiano.

Ramesh, no entanto, considerou que o "pequeno passo" hoje dado ao lado de Hillary, a quem apresentou vários programas concretos de ação conjunta, é um "bom começo" para as negociações.

A cúpula de Copenhague de dezembro próximo pretende atrair países como Índia e China para que se unam aos 37 signatários do Protocolo de Kioto, que expira em 2012 e não foi ratificado pelos EUA.

A chefe da diplomacia americana insistiu em suas várias aparições e entrevistas à imprensa indiana nos últimos dias que há um firme compromisso a favor do meio ambiente por parte do Governo Barack Obama.

Sua agenda de hoje em Délhi incluiu uma visita ao Instituto Indiano de Pesquisa Agrícola, onde defendeu "explorar novas áreas de cooperação", segundo a agência de notícias local "Ians".

A reunião programada hoje com a presidente do governante Partido do Congresso, Sonia Gandhi, foi adiada para amanhã.

O novo programa da Chancelaria diz que Hillary Clinton irá à Universidade de Délhi antes de se reunir amanhã com o primeiro-ministro, Manmohan Singh, o líder da oposição, L.K.Advani, e finalmente com o chanceler indiano, S.M.Krishna.

Com a visita, a primeira desde que assumiu o cargo, a secretária de Estado quer reforçar as relações com uma Índia receosa de que os EUA a coloquem "ao mesmo nível" do Paquistão.

Em entrevista ao canal "NDTV", Hillary mostrou sua solidariedade com as vítimas do atentado de novembro de 2008 em Mumbai, com quem compartilhou ontem experiências.

A secretária de Estado lembrou que os organizadores do 11-9 também se escondem no Paquistão, e frisou que este país está "muito mais comprometido a lutar contra a máfia do terrorismo".

Mas também defendeu a conciliação entre as duas nações nucleares do sul da Ásia, grandes rivais desde a década de 1940. Segundo ela, "quanto mais estável for o Paquistão, mais segura está a Índia".

Outros temas sensíveis que sairão amanhã das consultas com a cúpula política são a não-proliferação nuclear - a Índia se recusa assinar o TNP - e as relações da Índia com o Irã, que Hillary disse querer "compreender melhor". EFE ja/rr

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