Hillary leva solidariedade dos EUA ao Haiti

Washington/Porto Príncipe, 16 jan (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, transferiu hoje pessoalmente ao presidente do Haiti, René Préval, e ao povo haitiano a solidariedade e o compromisso dos Estados Unidos com o país caribenho após o terremoto de terça-feira passada.

EFE |

Primeira integrante do alto escalão americano a viajar ao Haiti, Hillary chegou a Porto Príncipe no final da tarde em um avião de carga da Guarda Costeira dos EUA que transportava ajuda humanitária.

Ela deve retornar a Washington quatro horas depois, acompanhada de quase 50 americanos que estão no Haiti.

Hillary se reuniu com Préval, que pediu a ela para viajar ao Haiti e que, além de seu domicílio - parte do Palácio Presidencial desabou -, perdeu vários membros de sua família no terremoto.

Ao enumerar à secretária de Estado as necessidades do Haiti, o presidente disse considerar crucial que o Governo volte a funcionar, que as estradas sejam limpas e os cadáveres empilhados sejam retirados das ruas.

Sob um "memorando de entendimento" assinado entre os dois países, a Força Aérea americana dirige o tráfego aéreo no aeroporto internacional de Porto Príncipe, de onde Hillary não saiu, sensível às sugestões de que sua presença no Haiti poderia prejudicar as operações de resgate em andamento.

Tanto o Executivo haitiano como o Parlamento do país pararam de funcionar após o terremoto. O Legislativo tentou fazer uma reunião hoje, o que não foi possível, já que o edifício está gravemente danificado e vários parlamentares estão desaparecidos.

Na opinião de Hillary, vai demorar um tempo para que o Governo do Haiti volte a funcionar.

"É preciso ser realista quanto a isso", afirmou.

A secretária de Estado reconheceu que o objetivo desta vista é identificar quais são os assuntos mais urgentes.

A chefe da diplomacia americana ressaltou as dificuldades representadas pela situação no Haiti, onde começam a circular cada vez mais notícias sobre casos de violência.

Hillary se referiu a uma reportagem da rede de televisão "CNN", segundo a qual médicos levados da cidade americana de Miami se viram hoje forçados a deixar o local onde prestavam assistência depois de ouvirem um tiroteio nas imediações.

Há atualmente sete mil membros do corpo de paz das ONU nas ruas do Haiti, na tentativa de controlar os focos de violência e manter a segurança.

A secretária de Estado está acompanhada pelo diretor da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), Rajiv Shah.

Shah contou que os EUA mobilizaram US$ 48 milhões em alimentos, uma quantidade suficiente para ajudar dois milhões de haitianos durante meses.

No entanto, reconheceu que os problemas de logística impedem que a distribuição da ajuda seja mais ágil.

Neste sentido, na opinião do embaixador do Haiti nos Estados Unidos, a visita de Hillary ao país pode ser crucial, já que poderia eliminar algumas das reservas existentes dentro do Governo haitiano em relação a "ceder poder" às forças americanas.

Neste sentido, a secretária de Estado americana descreveu "a luta contra o tempo" para socorrer os desabrigados porque existe a segurança de que uma demora na distribuição da ajuda humanitária levaria ao país a um caos total.

Tim Callaghan, assessor para a América Latina e o Caribe do escritório americano de assistência para desastres no exterior (OFDA, na sigla em inglês), esclareceu por teleconferência do Haiti que o Governo local é o responsável por liderar a coordenação da ajuda humanitária para o país.

"Trata-se de um esforço em massa e nosso enfoque está na coordenação destes esforços internacionais", explicou Callaghan.

Ao insistir na necessidade de manter a "boa coordenação" no terreno, Callaghan disse que o Governo do Haiti estabeleceu na sexta-feira 14 pontos de distribuição da ajuda humanitária e que entrarão em funcionamento ainda hoje.

O assessor reforçou o pedido feito hoje pelo presidente Préval para que o trabalho de coordenação de todas as equipes de resgate que chegaram ao Haiti seja mais integrado.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participavam da Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti, morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou neste sábado a morte do vice-representante do organismo no Haiti, o brasileiro Luiz Carlos da Costa.

Diferente dos dados do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou na sexta-feira o número de mortos para 17 - já considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa e de outro brasileiro que não identificou -, segundo informações da "Agência Brasil". EFE mla/bba

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