Hillary lança no Oriente Médio uma diplomacia agresssiva

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, lançou nesta terça-feira uma diplomacia agressiva no Oriente Médio, anunciando o envio de dois emissários a Damasco e insistindo numa solução de paz entre israelenses e palestinos baseada na convivência entre dois Estados.

AFP |

"Vamos enviar um representante do Departamento de Estado e outro da Casa Branca para examinar com a Síria questões bilaterais", afirmou em sua primeira visita a Israel e territórios palestinos.

"Os EUA e a Síria têm um certo número de questões a discutir", destacou Hillary Clinton, acrescentando que o regime sírio suscitava "de forma evidente preocupações regionais mais amplas", em referência a seu apoio à milícia xiita libanesa Hezbollah e ao movimento islamita palestino Hamas.

"Não temos como prever o futuro de nossas relações com a Síria", admitiu em entrevista à imprensa em Jerusalém com sua colega israelense, Tzipi Livni. "Mas acredito que vale a pena ir até lá e iniciar o diálogo", disse.

Hillary Clinton deve encontrar quarta-feira em Ramallah (Cisjordânia) o presidente palestino Mahmud Abbas e seu primeiro-ministro Salam Fayyad.

A Síria e os EUA mantêm relações diplomáticas tensas desde o assassinato em 2005 do dirigente libanês Rafic Hariri, pelo qual o regime sírio foi acusado.

Hillary Clinton chegou na noite de segunda-feira a Israel após participar de uma conferência que foi concluída com a promessa de doações de 4,5 bilhões de dólares para a reconstrução de Gaza e para a retomada da economia neste território sufocado pelo bloqueio israelense.

Ela insistiu sobre a criação de um Estado palestino, uma ideia rejeitada pelo primeiro-ministro eleito Benjamin Netanyahu.

"No final, trabalhar para uma solução com dois Estados é inevitável", afirmou a secretária de Estado. "Mas", acrescentou, "o primeiro passo a partir de agora é um cessar-fogo duradouro em Gaza", pedindo ao Hamas, que controla o território, que pare de "lançar foguetes" contra Israel.

Os tiros de foguete continuam apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em 18 de janeiro após uma ofensiva militar israelense em Gaza que deixou mais de 1.300 mortos palestinos em três semanas.

O porta-voz do Hamas, Taher al-Nounou, acusou Hillary Clinton de "parcialidade" em favor de Israel.

Hillary conversou também com Benjamin Netanyahu. "Acabamos de concluir reuniões aprofundadas e importantes sobre o Irã, a questão palestina e outros assuntos", afirmou Netanyahu.

"Concordamos em nos encontrar novamente quando o governo estiver formado e trabalhar em cooperação para obter paz, segurança e prosperidade para a região", acrescentou.

Hillary, que lembrou inúmeras vezes as ligações estreitas de Israel com os EUA, tentou tranquilizar o Estado hebreu sobre a questão iraniana, preocupação maior dos israelenses.

"Temos a intenção de fazer o possível para impedir o Irã de obter armas nucleares", afirmou.

Sua visita se inscreve no espírito de cooperação manifestado pela nova administração Obama, preocupada em realizar um acerto pacífico na região e iniciar um diálogo com o Irã.

bur-sd/lm

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