Hillary gera forte polêmica por se referir ao assassinato de Robert Kennedy

Washington, 24 mai (EFE).- A aspirante democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, enfrenta hoje uma forte polêmica após lembrar do assassinato de Robert F.

EFE |

Kennedy para justificar sua decisão de continuar na campanha, apesar da vantagem de seu rival Barack Obama.

Tanto Hillary quanto Obama participam hoje de uma série de comícios em Porto Rico, cujas eleições, no próximo dia 3, fecharão a etapa de primárias na corrida pela Presidência dos Estados Unidos.

A senadora democrata, que tem quase 200 delegados a menos que seu oponente, e cujas possibilidades de conseguir a candidatura de seu partido são muito reduzidas, viu-se rodeada pela polêmica após suas declarações sobre Robert Kennedy.

Na sexta-feira, em uma entrevista ao jornal de Dakota do Sul, retransmitida pela internet, os jornalistas perguntaram a Hillary quais são os motivos que a levam a continuar na campanha, apesar das poucas possibilidades de conseguir a nomeação.

"Meu marido não conseguiu a candidatura democrata em 1992, até que ganhou as primárias da Califórnia em meados de junho, verdade? Todos nos lembramos que Bobby Kennedy foi assassinado em junho na Califórnia, em 1968", respondeu Hillary.

Com estas declarações, a ex-primeira-dama queria dar uma série de exemplos para ilustrar que no passado o processo de seleção de um candidato se prolongou até o verão (do hemisfério norte), e por isso o caso deste ano não seria algo incomum.

Mas as palavras da senadora por Nova York tiveram uma forte repercussão.

Obama, que pretende ser o primeiro presidente negro do país, conta com a proteção do Serviço Secreto desde o ano passado, depois que a solicitou ao Partido Democrata por ter recebido uma série de ameaças pela internet.

No início das primárias, eleitores negros do sul do país utilizaram-se do medo de que Obama fosse assassinado como motivo para não votarem nele.

O país lembra não só da morte de Kennedy quando buscava a candidatura de seu partido à Casa Branca, mas também da do líder negro Martin Luther King, em 1968.

A ex-primeira-dama emitiu rapidamente um comunicado, no qual pediu desculpas por sua alusão feita à morte de Kennedy justamente num momento traumático para todo o país - e em particular para a família do ex-político -, e disse que em nenhum momento teve a intenção de ofender.

Sua porta-voz, Mo Elleithee, insistiu que Hilarry só quis citar exemplos de casos em que o processo de seleção se estendeu até o verão, e completou, dizendo que "qualquer outra leitura seria inexata e escandalosa".

Apesar disso, suas palavras foram rodeadas de uma nuvem de críticas. Jornais mais sensacionalistas como o "The New York Post" publicaram em sua capa uma foto da aspirante democrata e o título: "Ela disse o quê?!".

No periódico "Daily News", também de Nova York, o comentarista Michael Goodwin afirmou que a senadora "acabou com suas possibilidades de chegar à Vice-presidência".

"Vimos a radiografia de uma alma muito obscura. Uma pessoa completamente ambiciosa, que é capaz de se utilizar do assassinato de um rival como estratégia política. Se não é assim, por que pensar no assassinato?", questiona.

Inclusive diários mais "sérios", como o "The Washington Post", publicaram comentários que destacam que "candidatos inteligentes não invocam a possibilidade de que seu rival seja assassinado. Parece algo tão óbvio que não é nem preciso dizê-lo, mas aparentemente é preciso".

A campanha de Obama respondeu rapidamente às declarações de Hillary e assegurou que essas palavras foram infelizes e incompletas.

De acordo com a página de comentário político "RealClearPolitics.com", o senador por Illinois conta com 1.965 delegados, contra os 1.779 de Hillary, dos 2.026 necessários para chegar à candidatura democrata.

Uma enquete publicada pelo jornal "Los Angeles Times" indica que Obama ganha terreno na Califórnia e que se as eleições fossem hoje ele bateria o candidato republicano, John McCain, por 47% a 40% dos votos válidos.

Hillary, segundo a pesquisa, derrotaria McCain por 43% a 40%. EFE mv/fh/fb

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