Secretária encerra viagem nesta quinta-feira, em Barbados,

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, começou no último domingo uma viagem à América Latina com o objetivo de reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a região em assuntos como a guerra contra o tráfico de drogas e a promoção do comércio regional. É a segunda viagem de Hillary à América Latina em três meses.

O giro pela região se encerra nesta quinta-feira em Barbados. Na quarta-feira, Hillary se reuniu em Bogotá, na Colômbia, com os dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais: o governista Juan Manuel Santos e o opositor Antanas Mockus.

Santos foi o primeiro a se encontrar com Hillary e classificou a reunião como "cordial e frutífera". Segundo ele, que foi ministro da Defesa durante o governo do atual presidente, Álvaro Uribe, foram discutidos temas "da agenda bilateral" como o Tratado de Livre Comércio (TLC), o Plano Colômbia e o acordo militar assinado em outubro passado.

Já no encontro com Mockus, os assuntos centrais foram o combate ao narcotráfico e o respeito aos direitos humanos. "Há que se combater o pecado e não o pecador, e essa foi minha maneira de traduzir minha aproximação com os narcotraficantes", declarou o opositor, que foi prefeito de Bogotá em oportunidades, entre 1995 e 1997 e de 2001 a 2003.

Depois de conversar com os dois candidatos, a secretária de Estado norte-americana também se reuniu com Uribe para debater a luta contra o narcotráfico, além de assuntos relacionados com a democracia e a economia na América Latina.

Equador

Na terça-feira, durante visita a Quito, no Equador, a secretária cortejou um dos líderes de esquerda da América Latina, esperando mostrar que Washington pode cooperar inclusive com países que criticam suas políticas.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, que habitualmente se alinha com seu colega venezuelano, o antiamericano Hugo Chávez, manifestou "alegria" com a chegada de Hillary, e afirmou que, a despeito das diferenças, Equador e EUA podem trabalhar juntos.

"Não nos curvaremos (aos EUA)", disse Correa ao lado da secretária. "Entretanto, não somos antiamericanos, queremos muito os Estados Unidos", declarou.

Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversa com presidente do Equador, Rafael Correa, antes de coletiva em Quito
AP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversa com presidente do Equador, Rafael Correa, antes de coletiva em Quito

Há quase um ano e meio, quando assumiu o cargo, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu uma nova era de cooperação com a América Latina. Mas vários atritos surgiram desde então com a região, envolvendo questões como o golpe de Honduras, a imigração nos EUA e o embargo norte-americano a Cuba. Com sua viagem, Hillary pretende retomar a aproximação prometida por Obama.

Correa, parte do bloco esquerdista de governantes da região, no qual se incluem também Chávez e o boliviano Evo Morales, costumava fazer críticas ferozes aos EUA no passado. Como presidente, ele cancelou a cessão da base aérea de Manta às forças norte-americanas, o que levou Washington a buscar um acordo militar com a vizinha Colômbia.

O governo de Correa diz não ser influenciado pela "revolução socialista" de Chávez, mas assim como ele, ampliou o controle estatal sobre os recursos naturais.

Em abril, ele ameaçou nacionalizar operações petrolíferas estrangeiras, a menos que as empresas aceitem contratos que aumentam a influência do Estado na atividade.

Peru

Na segunda-feira, no Peru, a secretária de Estado pediu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) readmita Honduras no organismo, do qual foi expulsa no ano passado depois do golpe de Estado que derrubou o então presidente Manuel Zelaya.

"Este é o momento para o hemisfério como um todo avançar e dar as boas-vindas ao retorno de Honduras à comunidade interamericana", afirmou Hillary diante dos delegados de 33 países membros da OEA, reunidos em sua 40ª Assembleia Geral em Lima.

As nações sul-americanas, com exceção de Peru e Colômbia, questionaram a eleição em novembro passado de Porfirio Lobo como novo presidente hondurenho, por esta ter sido organizada por aqueles que apoiaram o golpe de Estado de 28 de junho de 2009, que derrubou Zelaya.

Mas Hillary disse que a região deve considerar o fato de Lobo ter sido eleito em "eleições livres e justas", e que pode ver o novo presidente "cumprir suas obrigações sob os acordos de Tegucigalpa-San José", que incluíram a formação de um governo de reconciliação nacional e de uma Comissão da Verdade para investigar o golpe.

Lobo "demonstrou um compromisso consistente e forte com um governo democrático", afirmou a secretária de Estado.

Honduras foi suspensa da OEA em 4 de julho de 2009, em retaliação à destituição do então presidente hondurenho, Manuel Zelaya, em 28 de junho. Para a Organização, a derrubada do líder foi uma ruptura da ordem constitucional do país.

Com Reuters, Ansa e AFP

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