Hillary: EUA e Brasil têm divergências sobre Irã

Em Brasília, Lula e o primeiro-ministro da Turquia voltaram a defender o acordo com o país persa

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou nesta quinta-feira que os Estados Unidos têm "sérias divergências" com o Brasil sobre o programa nuclear iraniano, apesar de as relações bilaterais em outros temas serem boas.

"Sem dúvida, temos sérias divergências com a política diplomática do Brasil em relação ao Irã", disse Hillary; "Mas nossa discordância não mina nosso comprometimento de ver o Brasil como um país amigo e parceiro. Nós queremos uma relação com o Brasil que resista ao teste do tempo".

A secretária fez críticas ao acordo de troca de combustível mediado por brasileiros e turcos. Segundo ela, o documento permitirá apenas que o Irã "ganhe tempo" para desenvolver tecnologia nuclear, além de diminuir a capacidade de a comunidade internacional se mostrar unida contra o projeto iraniano.

Hillary informou ainda ter dito ao chanceler brasileiro, Celso Amorim, que "nós achamos que dar tempo ao Irã, permitir que o Irã evite a unidade internacional em relação a seu programa nuclear torna o mundo mais perigoso, não menos".

© AP
Lula recebe Erdogan em Brasília
Também nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em Brasília o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Após o encontro, os líderes voltaram a defender o acordo com o Irã.

"O Brasil e a Turquia se empenharam e conseguiram um êxito diplomático que alguns países tentaram em vão durante muitos anos", destacou Erdogan, classificando os críticos do acordo de "invejosos".

Lula destacou que só os países que já possuem a bomba atômica se opõem ao entendimento com o Irã, e pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenha "sensibilidade para entender o momento político" na hora de analisar esse acordo.

Ban Ki-moon

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou nesta quinta-feira que os esforços diplomáticos de Brasil e Turquia foram positivos , embora tenha ressaltado a falta de confiança da comunidade internacional sobre as intenções iranianas.

Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, Ban afirmou que "o Irã declarou que continuará enriquecendo urânio a 20%, o que causa grande preocupação na comunidade internacional".

Ban qualificou o programa nuclear iraniano de "uma das maiores fontes de preocupação da comunidade internacional", e disse que, para que a polêmica seja atenuada, o Irã deve respeitar as resoluções do Conselho de Segurança e deixar claro sua intenção de cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ban Ki-moon fez uma apelo ao Irã na quinta-feira para que faça mais para afastar a suspeita internacional de que esteja tentando fabricar armas atômicas. "Como secretário-geral da ONU, peço às autoridades iranianas que esclareçam que seu programa nuclear tem objetivos exclusivamente pacíficos e não militares", disse.

Este mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ajudaram a negociar um acordo, segundo o qual o Irã enviaria parte de seu estoque de urânio pouco enriquecido ao exterior, revivendo um plano de troca de combustível proposto pela ONU que tinha como objetivo manter as atividades nucleares de Teerã sob verificação.

Os EUA consideram o acordo como uma tática do Irã para ganhar tempo e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU concordaram sobre um projeto de resolução para impor novas sanções contra Teerã. Ban reiterou os elogios ao pacto, dizendo que ele poderia ser "um passo positivo em direção a um acordo negociado".

O apoio da Rússia ao projeto de sanções deflagrou a pior disputa diplomática entre Moscou e Teerã desde a Guerra Fria. Na quarta-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou o Kremlin de se curvar à pressão dos EUA, levando a Rússia a criticar o líder iraniano por fazer "demagogia política".

Com AFP

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