Hillary envia na Indonésia mensagem de aproximação ao mundo muçulmano

Juan Palop. Jacarta, 19 fev (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, terminou hoje uma visita oficial à Indonésia, o maior país muçulmano, com a mensagem de que a Administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quer se aproximar do mundo islâmico.

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Hillary deixou Jacarta, segunda escala de sua viagem pela Ásia, após uma reunião com o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, mas nenhum dos dois deu declarações ao final da reunião.

No encontro, Yudhoyono e Hillary abordaram assuntos de "interesse bilateral, regional e global", entre eles a situação nos territóeioa palestinos, uma questão especialmente delicada para a Indonésia.

Yudhoyono, segundo o porta-voz presidencial, Dino Patti Djalal, defendeu diante de Hillary a consolidação de Estados israelense e palestino no Oriente Médio como única fórmula viável para alcançar a paz na região.

Os dois concordaram também na necessidade de colaborar na reconstrução da Faixa de Gaza, após a ofensiva israelense de dezembro e janeiro.

Sobre isso, Indonésia e Estados Unidos confirmaram sua participação na conferência de doadores que será realizada em março, no Egito.

Com a visita da secretária de Estado americana, a Indonésia buscou fortalecer seu papel no contexto internacional e se posicionar diante dos EUA como um possível mediador com o mundo muçulmano, devido a seu perfil moderado e democrático e seus vínculos afetivos com Obama, que morou em Jacarta durante a infância.

O ministro de Assuntos Exteriores indonésio, Hassan Wirajuda, afirmou na quarta-feira, depois de se reunir com Hillary, que a Indonésia pode ser "um bom aliado" dos EUA "para chegar a outros países muçulmanos".

Hillary reconheceu que a Indonésia, país que reúne "Islã, democracia e modernidade", e compartilha "valores" com os Estados Unidos, tem uma grande importância estratégica.

Por isso, a mais importante que a secretária de Estado americana trouxe nesta viagem foi a de chegar a um "acordo integral" com a Indonésia, como ela mesma explicou, e cujo objetivo último é a promoção "da democracia e do desenvolvimento econômico".

Nesse contexto, Hillary disse que os Estados Unidos consideram que a ajuda da Indonésia pode ser crucial em seus esforços para que o povo de Mianmar (antiga Birmânia) "viva mais livremente" e "possa escolher seus dirigentes" Acrescentou que a Junta Militar birmanesa, que governa de forma ditatorial desde o levante de 1962, "não foi influenciada pela pressão internacional ou pelas sanções", por isso é preciso abordar seu processo de democratização a partir de uma ótica regional.

No entanto, a aliança bilateral que os dois Governos pretendem implementar, e que o presidente indonésio já esboçou em novembro, abrangeria diferentes áreas de cooperação, da mudança climática ao desmatamento, e da educação à luta contra o terrorismo, além do comércio e da integração regional dentro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Hillary destacou que a Indonésia pode ser um bastião da democracia e do desenvolvimento, devido à capacidade do país de "de viver em harmonia" e à "vibrante sociedade civil", após a forte transformação dos últimos dez anos.

A chefe da diplomacia americana se referia ao processo de reforma política e democratização que ocorreu depois do fim do regime do general Suharto, em 1998.

Os observadores entendem que a escala em Jacarta da secretária de Estado americana buscou também preparar uma eventual visita oficial de Obama à Indonésia ainda este ano, mas, oficialmente, não há indicação a respeito.

Hillary partiu para a Coreia do Sul, terceira escala de sua primeira viagem oficial, que começou no Japão e terminará na China, o que sugere a importância da Ásia para a política externa da nova Administração americana. EFE jpm/an

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