Hillary enfrenta teste latino-americano sobre o Irã

Por Andrew Quinn WASHINGTON (Reuters) - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, viaja para a América Latina no domingo numa tentativa de melhorar a imagem combalida de seu país numa região onde o Brasil começa a se elevar como potência regional com aspirações globais.

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A viagem marca as primeiras paradas de Clinton na América do Sul como secretária de Estado. Ela visitará o Chile depois de visitar o Uruguai, apesar da ocorrência do terremoto de magnitude 8,8 que abateu o país no sábado.

O Brasil é a peça central da turnê de cinco dias da secretária de Estado e ela vai usar a parada no país no dia 3 de março para pedir apoio para sua tentativa de conseguir que o conselho de segurança da ONU aplique nova sanções ao Irã por causa de seu programa nuclear.

O Brasil, membro não permanente e sem direito a veto no conselho de segurança, tem resistido a endurecer com o Irã e analistas dizem que Clinton enfrenta um teste diplomático ao tentar trazer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a bordo nas últimas semanas antes de os diplomatas apresentarem sua estratégia de sanções.

Mas a viagem também marca um novo começo para os EUA na América Latina. A região teve esperanças de melhorar as relações com o governo de Barack Obama. Contudo, essa esperança diminuiu depois de desentendimentos em relação ao golpe em Honduras e da decisão americana de continuar com o embargo a Cuba.

Essa decepção com a potência norte-americana, ficou mais aparente esta semana quando o Grupo do Rio, que inclui Brasil e México concordaram em criar um novo bloco regional que deliberadamente deixou os EUA de fora.

"As expectativas iniciais eram um pouco grandes e provavelmente não podiam ser alcançadas", disse Peter DeShazo, diretor do programa das Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington. "As políticas tem sido muito mais de continuidade (do governo anterior) do que se esperava."

Analistas da região dizem que o itinerário de Clinton diz muito. As primeiras duas paradas, o Chile e o Uruguai, são em países que tiveram eleições recentemente e são vistos como economias moderadas, voltadas ao mercado.

Ela termina com paradas na Costa Rica, outro antigo e estável aliado dos EUA, e na Guatemala, que recentemente viu sua importância estratégica disparar como uma nova fronteira na batalha contra o tráfico de drogas internacional.

"Ela está mostrando apoio a políticas econômicas moderadas e princípios democráticos", disse Roberto Izurieta, chefe do departamento Latino Americano da Escola de Pós-Graduação em Administração Pública da George Washington University.

IRÃ SERÁ QUESTÃO DIFÍCIL

Apesar do foco latino-americano, o Irã está no topo da lista de prioridades já que os EUA e outras potências com direito a veto no conselho de segurança estão tentando chegar a um acordo para aplicar novas sanções a Teerã.

A Rússia recentemente mostrou-se mais aberta a possíveis sanções ao programa nuclear do Irã, que Teerã diz ter motivos pacíficos mas que potências ocidentais temem que seja uma fachada para construção de armas atômicas.

Mas a China tem pedido que haja mais diálogo sobre o assunto primeiro e o Brasil, que recebeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad em novembro, também está hesitante, uma posição que Clinton provavelmente não conseguirá mudar.

Julia Sweig, diretora do programa latino-americano do Conselho de Relações Exteriores, disse que a experiência do Brasil com seu programa atômico e com a transformação democrática o fizeram relutante em apoiar a política linha-dura dos EUA em relação ao Irã.

O Brasil também tem pedido que os EUA acabem com a política de isolamento de Cuba --Lula fez visitou a ilha na semana passada-- e esses pedidos devem ser reiterados durante as duas paradas de Clinton na América Central.

Clinton também deve ser pressionada por causa de sua posição em relação a Honduras, que está sofrendo para recuperar a estabilidade e a legitimidade depois que um golpe derrubou o ex-presidente Manuel Zelaya no ano passado.

"Ela precisa recuperar o tempo perdido, especialmente em relação a Honduras", disse Sweig. "A credibilidade americana realmente sofreu."

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