Hillary elogia papel global da Índia e assina acordo de defesa com o país

Agus Morales. Nova Délhi, 20 jul (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assinou hoje, em Délhi, um acordo que facilita a cooperação militar com a Índia, no final de uma visita na qual elogiou o papel do gigante asiático no mundo e sua importância para os Estados Unidos.

EFE |

A cooperação entre os EUA e a Índia será um dos eixos centrais para o progresso no século XXI, assegurou Hillary, que disse ter viajado para o país "com o compromisso de construir uma relação mais forte".

"Trabalharemos não só para manter nossas relações, mas para aprofundá-las", afirmou a secretária de Estado, que se reuniu hoje em Délhi com altos membros do Governo indiano e deu uma entrevista coletiva com o ministro de Exteriores do país, S.M.Krishna.

Os dois países assinaram um acordo que permitirá aos EUA verificar o uso das transferências de tecnologia militar que fizer à Índia, algo que "aplanará o caminho para uma maior cooperação em matéria de defesa", segundo Hillary.

O pacto cobra especial relevância à intenção da Índia de renovar a frota de suas Forças Aéreas com 126 novos aviões de combate, um negócio de US$ 10 bilhões, pelo qual competem americanos, russos e europeus.

Krishna e Hillary assinaram, além disso, um acordo científico e tecnológico e outro que abre a entrada ao uso de peças americanas em naves espaciais indianas.

Os dois países se referiram em vários momentos ao acordo de cooperação nuclear civil fechado no ano passado, que marcou um ponto de inflexão em suas relações bilaterais. Hillary reafirmou o compromisso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de aplicá-lo e de aproveitar as oportunidades que oferece.

A secretária de Estado dos EUA explicou que o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, comunicou, durante a reunião que mantiveram ao meio-dia, que seu Governo aprovou duas localizações para reatores nucleares americanos.

"Esperamos que a Índia possa aprovar a legislação correspondente que permita às companhias dos EUA aproveitarem esta importante oportunidade", acrescentou a secretária de Estado, que disse que isto "facilitaria a entrada de bilhões de dólares e criaria empregos nos dois países".

Hillary assegurou, além disso, que Singh compartilha com os EUA a opinião de que o Irã não deve "obter armas nucleares", algo que significaria um "perigo para a estabilidade global", embora tenha acrescentado que continuará explorando as boas relações do gigante asiático com o Governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Durante seu discurso, Krishna destacou o compromisso de Hillary com a Índia e explicou que as duas potências concordaram em criar uma nova fórmula de diálogo bilateral baseado em cinco pilares, entre eles a mudança climática, o desarmamento e a não-proliferação nuclear.

"Nos consideramos parceiros globais, nossas duas democracias podem desempenhar um papel líder nos esforços globais por abordar os desafios de nosso tempo", resumiu o chefe da diplomacia indiana.

Hillary fechou assim uma visita com objetivo de discutir pontos em comum com a Índia e negou estar pressionando o gigante asiático a retomar suas rodadas de diálogo com o Paquistão.

Segundo a declaração conjunta divulgada hoje pelo Ministério de Exteriores da Índia, após a melhora das relações durante os dois últimos Governos americanos, ambas as partes se comprometem "a buscar uma terceira e transformadora fase da relação que aumente a prosperidade global e a estabilidade no século XXI".

"A Índia e os EUA prometeram trabalhar junto a outras grandes economias para fomentar uma recuperação sustentável da crise econômica global", afirma a declaração.

Clinton, que chegou na sexta-feira a Mumbai e um dia depois se reuniu com o empresariado indiano, manteve hoje encontros com Singh, a presidente do governante Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e o líder da oposição, Lal Krishna Advani, além de Krishna.

Durante sua visita ressaltou que os dois países entraram em uma "nova era de cooperação" e, como prova disso, transmitiu a Singh um convite de Obama para que visite Washington no dia 24 de novembro, o que será sua primeira visita de Estado desde que o presidente americano assumiu o cargo. EFE amp/pd

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