Hillary elogia atuação do Brasil no caso de disputa por guarda de menor

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou nesta quinta-feira a cooperação do governo brasileiro no processo que culminou com a entrega do menino S.R.G. ao pai biológico, o americano David Goldman, após uma longa disputa judicial.

BBC Brasil |

Em uma declaração divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Hillary disse estar entusiasmada com o desfecho do caso.

"Agradeço a todos que contribuíram para que este longo processo fosse concluído de forma bem-sucedida, inclusive diversos membros do Congresso dos EUA e pessoas que se preocuparam tanto aqui quanto no Brasil", afirmou.

"Somos gratos, ainda, pela ajuda e cooperação do governo brasileiro no cumprimento de suas obrigações com as regras da Convenção de Haia sobre o Sequestro Internacional de Crianças", disse a secretária.

Disputa internacional
No início deste ano, Hillary acabou intervindo na disputa internacional sobre a guarda da criança. Ela pediu ao governo brasileiro que entregasse o menino a seu pai biológico.

Durante um encontro com a secretária de Estado, realizado em Washington, em fevereiro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que entendia a sensibilidade do tema, mas que o caso estava sendo resolvido na esfera da Justiça.

Na época, Hillary comparou o caso à disputa ocorrida entre os EUA e Cuba, em 2000, em torno do menino cubano Elián González, então com seis anos de idade e cuja custódia se transformou em uma crise internacional.

"O lugar certo para uma criança é com sua família, e não há razão pela qual David Goldman não deva receber seu filho de volta. Esperamos que esta disputa seja resolvida muito em breve", disse Hillary.

Consequências
Antes da chegada do menor aos EUA, nesta quinta-feira, sites de algumas emissoras de TV, como a ABC News e a CBS, publicaram textos sobre os possíveis problemas psicológicos que o garoto poderá enfrentar na sua volta ao país.

Alguns especialistas em desenvolvimento de crianças receiam que a longa batalha internacional pela custódia do menino terá fortes consequências.

Eles acreditam que o garoto, de nove anos, enfrentará muitos desafios ao ajustar sua vida com o pai americano, depois de viver cinco anos afastado dele no Brasil.

De acordo com o psicólogo Jenn Berman, o garoto terá inúmeras dificuldades durante seu período de adaptação.

"No curto prazo, ele deverá se adaptar a uma cultura completamente diferente e a um mundo que não é nada familiar para ele", afirmou Berman.

A médio e a longo prazos, de acordo com o psicólogo, as dificuldades serão ainda maiores.

"Ele teve um trauma depois de outro trauma. Isso é muito difícil quando você é abandonado tão jovem", disse. "As crianças se recuperam rapidamente, mas esse garoto tem muitos desafios pela frente."
Harold Koplewick, diretor do Nathan S. Kline Institute for Psychiatric Research, diz que vai demorar um pouco até que o garoto se sinta adaptado à nova vida e seu pai deverá ter muita paciência para ajudá-lo.

Famílias
Os especialistas, no entanto, são unânimes em afirmar que o melhor para o menino é manter o relacionamento com ambos os lados de sua família.

"É importante compreender que esse garoto está ligado a ambas famílias, no Brasil e nos EUA", afirmou Judith Myers-Walls, especialista em desenvolvimento de crianças.

De acordo com ela, não importa como o caso foi finalizado, já que o trauma no processo é inevitável.

Judith diz que, além de estar separado do pai por cinco anos, ele também enfrentou a morte da mãe e o constante conflito da batalha por sua custódia, que durou a maior parte de sua vida.

Para ela, o impacto final de todos esses traumas só será conhecidos em anos, mas a atitude dos adultos envolvidos no caso será fundamental para amenizar os problemas.

Internautas americanos também se manifestaram sobre o desfecho do caso.

"A família brasileira ama S. também, mas eles estavam pensando só neles e atuando como criminosos malvados", disse um deles. "S. não é a única vítima, mas David também".

Outro internauta questionou a posição da família brasileira, dizendo que eles poderiam ter acabado com isso anos atrás.

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