Hillary elogia a democracia indonésia, modelo para o mundo muçulmano

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, atribuiu nesta quarta-feira à Indonésia um papel principal na promoção dos valores defendidos pela administração Obama, que deseja ver o Islã e a democracia prosprerarem juntos.

AFP |

Hillary afirmou que a evolução recente da Indonésia demonstra que no Islã "a democracia e a modernidade podem não somente coexistir, mas também prosperar juntos".

Ela manifestou assim o desejo de a Indonésia, o maior país muçulmano do mundo e a terceira democracia mais importante, "desempenhar um papel motor na promoção" da diplomacia do "equilíbrio" e da "harmonia" defendida por Washington desde à chegada ao poder do presidente Barack Obama.

O imenso arquipélago se tornou uma democracia em 1998, após a queda do ditador Suharto, e se prepara para novas eleições legislativas, em abril, e presidencial, em julho. Quase 90% de seus 230 milhões de habitantes são muçulmanos e a maioria deles é adepta ao islamismo moderado.

"A Indonésia tem instituições sólidas e que estão sendo reforçadas, uma sociedade civil vibrante e que conseguiu combater com sucesso o terrorismo e o extremismo", disse Hillary Clinton à imprensa depois de se reunir com seu colega Hassan Wirajuda. Ela afirmou que os dois países devem se comprometer numa "parceria de envergadura" na área econômica, na área de segurança e da mudança climática.

Segurança reforçada

Quase 3.000 policiais foram mobilizados para garantir a segurança de Hillary Clinton em Jacarta, enquanto uma manifestação reunia dezenas de estudantes muçulmanos contrários à sua visita em frente ao palácio presidencial. "Hillary, vá embora", gritavam lançando sapatos contra uma caricatura da secretária de Estado.

O chefe da Nahdlatul Ulama, a primeira organização muçulmana do país, cumprimentou em contrapartida a vinda de Hillary Clinton pedindo a ela que demonstre que os EUA mudaram. "Se o extremismo islâmico existe, não é por causa da religião muçulmana, mas por causa dos conflitos no Oriente Médio, no Iraque, no Afeganistão ou no Paquistão", disse Hasyim Muzadi.

"Washington deve parar de considerar o mundo muçulmano como um inimigo, uma ameaça", disse Din Syamsuddin, presidente da Muhammadiyah, segunda organização muçulmana.

Este último recusou um convite para jantar na noite desta quarta-feira com Hillary Clinton e representantes da sociedade civil. "Este tipo de reunião, sem verdadeiro diálogo, não é útil", justificou.

O ministro indonésio dos Assuntos Estrangeiros encarregou Clinton de transmitir um convite ao presidente Barack Obama, que goza de uma forte popularidade na Indonésia, ligada em parte aos quatro anos que ele passou por lá quando criança no fim dos anos 1960.

A secretária de Estado visitou também em Jacarta a sede da Associação das Nações da Ásia do Sudeste (Asean), que reúne dez países. Oportunidade de reafirmar a importância da região aos olhos de Washington enquanto a China reforçou ali sua influência nos últimos anos.

Depois de Tóquio, primeira etapa de seu giro internacional, Clinton deixará Jacarta quinta-feira, depois de um encontro com o presidente Susilo Bambang Yudhoyono, para embarcar rumo à Coreia do Sul e depois à China.

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